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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Uma ponte interpretativa entre a epistemologia científica e a crença no mundo metafísico.

De uns tempos para cá, venho estudando epistemologia da ciência, o que tem garantido novas ideias sobre o pensamento teológico também. Um fato bastante interessante, que descobri a pouco tempo e, que somente agora, consegui concatenar uma ideia básica, sobre um pensamento que se relaciona a ferramenta científica com a extrapolação do natural, em outras palavras, uma ponte mais estruturada entre a interpretação da natureza e a metafísica,.

Essa ideia, se baseia no referencial teórico de Gaston Bachelard, que foi um epistemólogo francês especialista na interpretação de como a ciência é apresentada, se desenvolve e é interpretada pelas pessoas. Uma de suas principais obras é "O Desenvolvimento do Espírito Científico", todavia, não se surpreenda com o termo "espírito", o qual não se vincula a característica transcendental, mas sim, mais ligado a uma característica de ação, saber trabalhar, compreensão, pensamento sobre algo, etc.

Figura 1: Gaston Bachelard
Dessa forma, o Desenvolvimento do Espírito Científico, resumidamente, se baseia no que Bachelard intitulou de 3 estados do desenvolvimento do espírito científico. O primeiro estado, se relaciona  ao pensamento que somente se vincula às primeiras impressões, ao senso comum e a exaltação da natureza. Esse estado do pensamento científico é conhecido como "Estado Concreto", em outras palavras, é o estado em que as reflexões científicas são limitadas somente ao mundo concreto. Dentro desse escopo, temos como por exemplo, as observações de fenômenos naturais e a aceitação deles como um todo (ocorre por si mesmo, ocorre pois tem que ocorrer). A nível matemático, somente problemas de níveis mais básicos, como os geométricos, são considerados, ou mesmo, que tem aplicação direta ao concreto tangível.

O segundo estado do desenvolvimento científico, é conhecido como "Estado Concreto-Abstrato", sendo que, é um estado de desenvolvimento mais avançado ao do Estado Concreto. Nesse momento, a pessoa se encontra num estágio que começa a aceitar o pensamento abstrato, mas ainda não consegue compreender como um todo o pensamento abstrato. Obviamente, dentro do escopo do Estado Concreto-Abstrato, a pessoa inicia pensamentos que extrapolam o que existe no tangível, em outras palavras, inicia-se uma aceitação de que existem coisas que não são possíveis serem percebidas com simples observações. Um exemplo dessa aceitação é a existência de vírus e bactérias que levam a doenças. A nível matemático, se inicia o trabalho com variáveis e incógnitas.

O terceiro estado é conhecido como "Estado Abstrato" e, se baseia, no momento em que a pessoa desenvolve capacidade cognitiva para compreender algo que extrapole completamente ao Estado Concreto. Esse fato é alcançado quando a pessoa consegue elaborar hipóteses que não se baseiem no senso comum, nas observações do tangível, no macroscópico, mas sim, que consigam elaborar ideias onde ocorra o desenvolvimento de uma projeção mental de algo mais abstrato. Exemplos desse estado mental se enquadram na compreensão de que os átomos não são pequenas bolinhas, mas sim, uma partícula que é descrita via funções de onda, ou seja, uma visão mais complexa e que necessita de mais conceitos prévios. A nível matemático, já se torna possível o trabalho e desenvolvimento de funções, sistemas, integrações, derivações, diferenciações e limites.

Creio que, agora possa ter ficado simples a observação, no que tange ao pensamento religioso. 

No caso, quem critica o pensamento religioso, tentando criar uma observação de mundo, a qual, somente a natureza se mostra como chave de todas e qualquer resposta, acaba se mostrando vinculado ao Estado Concreto, uma vez que não consegue desenvolver uma abstração extrapolativa do universo. Mesmo que, a nível científico, a pessoa se enquadre no Estado Abstrato, a nível cognitivo do todo, se mostra dependente da exaltação da natureza. Em outras palavras, não conseguiu extrapolar a ferramenta de interpretação da natureza, a qual, nos referimos como ciência. Nesse escopo, muitas vezes, existe uma grande confusão, onde a pessoa não consegue diferenciar ciência de natureza, ou ainda, do fechamento cognitivo para tudo que possa contrapor a ferramenta que ele usa.

Com isso, essas pessoas acabam se apegando muito à ferramenta de interpretação, a qual é dependente de conceitos, postulados e ideias formuladas para sua simples funcionalidade, esquecendo que, essa é uma invenção humana e, somente existe pois o ser humano existe, ou seja, a ciência é dependente do homem que a usa para ser funcional. Dessa forma, fechar o horizonte cognitivo nesse foco, acaba por limitar a percepção total de universo. Logo, se algo não se enquadra no escopo da ferramenta, ele não pode ser mensurado, se não pode ser mensurado não pode ser percebido, se não pode ser percebido então não existe. Todavia, notem que, a ferramenta de coleta de dados e de análise, possui limitações, pois foi desenvolvida para que gere significados cognitivos para os sentidos humanos. 

Entretanto, surgem questionamentos: "E os possíveis fenômenos que existem e, que ainda não são captados pelas ferramentas, devido a limitações físicas das mesmas... Não existem?... Não tem importância?"

Obviamente, se existem, esses fenômenos possuem importância, do contrário não teriam função, se não tem função, não possuem sentido e se enquadrariam em gasto energético... Fato esse que a natureza evita a todo custo, uma vez que busca estabilidade constante.

Existe também, um pensamento que retrata a ciência como uma formiga dentro de uma fazendinha dessas de plástico. O universo para ela é limitado ao que ela consegue observar (considerando o fato que a formiguinha possuísse um sistema de visão como o nosso), todavia, ela consegue apenas ver objetos muito grandes em sua totalidade, a uma determinada distância, a qual não seja nem muito perto ou mesmo muito longe. Entretanto, se o objeto estiver muito perto e, a formiguinha não conseguir reparar sua totalidade, o mesmo passará despercebido para ela (mesmo sendo gigantesco), por outro lado, se o objeto, mesmo que seja enorme, estiver longe, a mesma formiguinha, não irá conseguir percebe-lo, devido a sua limitação de observação.

Figura 2: A ciência pode ser classificada como uma forminha que não consegue ver nada além do seu foco limitado de vista, no que tange a sua característica fisiológica.
Ou seja, negar algo, devido ao fato de que o mesmo não seja perceptível pela ferramenta utilizada, não quer dizer que esse algo não exista. Um exemplo científico disso foi com o fenômeno da quantização energética dos elétrons em um átomo, explicando melhor, o elétrons possuem níveis de energia, os quais "qualificam", sua presença em um determinado local do espaço. Para isso, houve a necessidade de se desenvolver uma nova visão de mecânica, uma vez que a física clássica não mais correspondia ao fenômeno que agora estava se tornando perceptível, todavia, havia se mantido oculto, até que a ferramenta de coleta de dados e interpretação natural, viesse a se tornar apta para captar esses tipos de dados. Dessa forma, se originou a Mecânica Quântica.

Contudo, torna-se óbvio que, negar a Deus, pois O mesmo não É captado via a ferramenta de interpretação natural, não quer dizer que Ele não existe, mas sim que, Sua presença se enquadre em um escopo não natural. Todavia, para compreender essa observação, o questionador precisa extrapolar o Estado Concreto no Desenvolvimento do Espírito Científico.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Breve reflexão sobre o mundo acadêmico.

Eu sou químico com formação em educação e mestrado em quântica, e uma coisa que venho percebendo entre os acadêmicos da área de ciências físicas é que existe meio que um tabu... algo como se fosse uma obrigação... não querendo generalizar... mas muita gente torna-se ateu pois parece que essa é uma obrigação profissional.

Obviamente, na maioria dos casos que eu já vi, essas pessoas não tem muita consciência do que realmente é a ciência, sendo que, em muitas definições essas pessoas confundem ciência e natureza. Que são coisas distintas... logo, dentro desse escopo, se as pessoas não conseguem discutir bem as definições de ciências e mesmo de natureza... não vão conseguir discutir religião.

Dentro das características epistemológicas nós temos visões de mundo, sendo a científica uma delas, as outras são a visão religiosa, a visão do senso comum e a cosmológica.

Então, o que temos, são visões de mundo e não verdades absolutas. Para um sitiante no meio da caatinga, é muito mais simples crer na religião ou no senso comum do que na ciência. Uma vez que essa visão do mundo é excluída de seu escopo. O mesmo se aplica aos "cientistas" devido à omissão frente aos estudos teológicos.

Mas, o que mais me assusta é que, até hoje, não consegui discutir religião entre os "cientistas", pois as definições sobre o que é uma deidade são tão frágeis que não permitem a possibilidade de discutirmos um culto a tal deidade... sim, a fraqueza na argumentação sobre o definir a Deus (no caso frente ao Deus cristão) não deixam a conversa se estender e chegar na religião.

É claro que religião não é Deus, porém dizer que a religião é o mau da humanidade sem mesmo entender o que é uma religião... demonstra muitas falhas de aprendizado... a epistemologia de algo não se passa pela omissão... logo, se omitir frente a um saber, pois a pessoa não concorda, não trás aptidão para discuti-la.
Pena que muitos dos "cientistas" não compreenderam que ciência é uma ferramenta e não a explicação de algo. A explicação é muito mais metafisica, uma vez que se baseia numa abstração embasada em epistemologia e até em senso comum.

Se alguém gosta de ensino de química, tenho um outro blog, chamado Licenciando em Química, onde, explico e ajudo alunos e futuros professores na empreitada acadêmica.
Segue o link: http://licenciandoemquimica.blogspot.com.br/

Além disso também tenho um canal no youtube, chamado Ciência Química!, onde estou iniciando uma série de vídeos sobre História da Química. Segue o link de meu último vídeo: 

sábado, 26 de março de 2016

As atuais pesquisas sobre o Santo Sudário levam a uma dicotomia em relação a veracidade da Sagrada Escritura?

Mais uma vez estamos na páscoa, e junto desse momento de renascimento, também surgem algumas dúvidas sobre o sacrifício de Cristo.

Hoje não vou me prender na explicação da consciência de Cristo referente aos eventos que o cercaram, mas sim, ao fato sobre o que a ciência vem falando atualmente sobre o flagelo de Cristo e uma possível contradição com a sagrada escritura.

Uns meses atrás uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bréscia na Itália, utilizando uma fotografia do Sudário de Turim, desenvolveu um procedimento cefalométrico, onde estudaram o rosto impresso no tecido, gerando uma imagem em três dimensões, nas quais conseguiram estudar melhor os machucados do homem que sofreu o flagelo. Estou me referindo a um sujeito qualquer e não a Cristo por enquanto, para ser o mais imparcial possível.

Os estudos mostraram que o rosto impresso no tecido, possuí uma deformação que leva a crer ser um grande inchaço na mandíbula. Segundo a dentistas e médicos, esse inchaço na realidade corresponde a uma luxação na articulação temporomandibular, ou seja, o homem que foi envolto no tecido sofreu muitos golpes no rosto, até chegar ao ponto de ocorrer uma fratura na mandíbula.

Esse fato colocaria em cheque a profecia de que nenhum osso seria quebrado durante o sacrifício cruento do Messias, ou seja, criando uma dicotomia que leva a seguinte encruzilhada: "Se o tecido for realmente o Sudário de Cristo, então a sagrada escritura está errada, pois Cristo não poderia ter sequer um osso quebrado" ou "Se a sagrada escritura estiver certa, então o Sudário não é de Cristo, pois o rosto impresso mostra ter uma fratura grave na mandíbula".

Foto tirada do Sudário de Cristo em 1931.
A princípio pode parecer algo complicado de refutar, porém existe um porém não levado em consideração pelos céticos, e é relacionado com a definição de fratura de um osso. Para os judeus, romanos e para a maioria dos povos daquele período, uma fratura era reconhecida, somente quando havia o rompimento da carne, ou seja, quando existisse a exposição do osso. Obviamente também reconheciam fraturas não expostas, porém, que levavam a descontinuação do osso na pele. Provavelmente entre poucos povos o conhecimento de que uma luxação poderia representar uma fratura era efetivo, portanto, para as pessoas as quais a profecia foi exposta esse fato ainda não era conhecido.

Portanto, uma profecia teria que ser simples o suficiente para agregar informação a nível de situação e não somente de detalhes. A profecia não teria que explicar o que é uma fratura, mas sim, que não haveria uma fratura definível dentro da situação.

Além dessa característica óbvia da definição do que é uma fratura, também temos a identificação do momento esperado pela quebra de um osso. Esse momento se dá no adiantamento da morte na cruz que os romanos faziam, ou seja, eles causavam a morte por um fator não necessariamente da cruz, mas sim por uma asfixia espontânea. Quando uma pessoa era crucificada, além da hemorragia e da desidratação, essa pessoa ia perdendo a função pulmonar com o tempo, devido ao enrijecimento dos músculos do peito, costas, braços e pescoço, o que inviabilizava o ato de inspirar e expirar, porém isso poderia levar horas, ou mesmo dias, sendo que com isso os flagelados ficavam muito tempo expostos aos olhares de todos. 

Como a época era de páscoa, e muita movimentação popular ocorria, foi pedido que se removessem os corpos das cruzes o quanto antes, com finalidade de não gerar revoltas, devido ao fato dos flagelados poderem ser motivos de revoltas ou mesmo de identificação com mártires. Portanto para acelerar a morte, bastava quebrar as pernas dos condenados, o que removia o apoio do corpo e então levava ao estiramento de todos os músculos de suporte do corpo, provocando asfixia.

Quando a profecia diz que não haveria a quebra de nenhum osso de Cristo, ela se refere ao tipo de morte que o Messias teria, ou seja, a morte de cristo não seria por asfixia, mas sim por hemorragia. A ideia por morte de hemorragia é vinculada ao fato de que o sacrifício para o judeu é um evento cruento, ou seja, deve haver o escape de todo o sangue do sacrificado, uma vez que o sangue era considerado o envolucro da alma e da vida como um todo, uma vez que a perda de muito sangue levava e leva a morte.

Portanto, obviamente a sagrada escritura está correta, e mesmo com uma fratura no rosto, aquele tecido pode ser o Sudário de Cristo.

Fonte: http://www.infovaticana.com/2015/11/07/jesucristo-sufrio-una-luxacion-mandibular-por-los-golpes-recibidos/

sábado, 12 de setembro de 2015

Bicentenário de Dom Bosco.

No dia 16/08/2015 celebramos o bicentenário de nascimento de São João Bosco, ou mais comumente conhecido como Dom Bosco. Nascido em uma comuna próxima a Turim (Castelnuovo, província de Asti - Itália), filho de camponeses, desde cedo conheceu uma vida de grande pobreza, ficando órfão de pai com dois anos, o que gerou em sua vida uma grande necessidade de levar ao próximo todo o sentimento paterno que não teve chance de vivenciar, educando, alimentado e evangelizando jovens.

Aos 9 anos de idade Jesus lhe aparece em um sonho, dizendo para seguir Maria e educar jovens pobres, e assim com 11 anos, ele parte para Turim onde inicia sua vida de jovem sacerdote, visitando as prisões e ruas da cidade, o que lhe trouxe grande preocupação e então, o que levou-o a criar um oratório, onde educava os jovens baseado em três fundamentos: Razão, Religião e Amabilidade.

Em 1859 funda a congregação Pia Sociedade de São Francisco de Sales, que ficou conhecida como Salesianos, e em 1872, juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fundam a vertente feminina dessa congregação, conhecida como Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora.

A obra de Dom Bosco ainda hoje vive de forma pulsante, ajudando jovens em mais de 2000 comunidades espalhadas por 132 países. Fazendo a função de educar e alimentar, fato esse que é obrigação do estado e não da Igreja.

Em comemoração a esses 200 anos de Dom Bosco, as relíquias desse Santo estão percorrendo as comunidades Salesianas pelo mundo, permanecendo uma semana em cada local. Essa semana as relíquias se encontraram em minha comunidade, na igreja Nossa Senhora Auxiliadora na cidade de São Carlos. Abaixo algumas fotos dessas relíquias que normalmente se encontram em Turim.

Urna de vidro, com uma reprodução em porcelana de Dom Bosco. As vestimentas que se encontram na reprodução são as que foram usadas pelo Santo durante sua vida.


Urna com pedaço do cérebro de Dom Bosco

Urna com pedaço do cérebro de Dom Bosco

A urna que reproduz o descanso de Dom Bosco não tem o tamanho natural do Santo, mas sim uma reprodução. Ao lado temos minha mãe.


domingo, 5 de julho de 2015

O que é Liberdade?

Deus criou o homem e a mulher como seres dotados de alma e fé, com um grande objetivo que é ser livre e como consequência dessa liberdade, também ser feliz, dessa forma, a liberdade e a felicidade são complementares.

Por Deus ser a maior expressão de liberdade e felicidade, busca-Lo te leva à tão querida liberdade .
Porém o que é liberdade?

A liberdade é um estado bastante confundido quando se tenta defini-la, pois acredita-se que a liberdade é uma expressão da vontade, ou seja: “Faço o que quero!”
Porém essa definição é completamente incorreta, pois epistemologicamente o “Faço o que quero!”, leva até a formação de uma escravidão da atitude e da vontade, pois tudo o que traz ordem acaba por ser refutado, em busca do caos.

Forma de liberdade criada pelas leis humanas: A Liberdade Guiando o Povo, de Delacroix (1830): uma personificação da liberdade. A liberdade, antigamente, era vista como resultado de batalhas e de imposição de vontades e justiças.


Deus é a completa organização, porém não uma organização da lógica limitada humana, mas sim uma lógica que transcende a vontade e o caráter de personalidade humana.
Logo a liberdade garantida biblicamente, não é a liberdade de atitude, mas sim a liberdade de poder se livrar da materialidade, com isso, para ser livre e consequentemente feliz existe a necessidade do temor a Deus.

Silogisticametente:
Se para ser livre eu tenho que buscar a liberdade, e a liberdade é expressa totalmente por Deus, logo temos que buscar a Deus.


Segundo Baruch Espinoza a liberdade é intimamente ligada com a natureza do homem. Como o homem é uma criação de Deus, criada por Ele e para Ele, a sua natureza é divina. Logo sua liberdade é uma expressão de atitude referente aos desígnios divinos de Deus, jogando por terra a teoria de que a mesma é somente uma expressão da vontade humana.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Assassínios

Essa semana ocorreram atentados na França e o mundo se encontra horrorizado (e é para estar mesmo... são atos deliberados e absurdos), nada justifica matar uma outra pessoa. Porém estão querendo transformar os cartunistas em mártires, como se os mesmos fossem grandes vozes da libertação intelectual, só que na verdade, esses cartunistas não passavam de um bando de preconceituosos e que tinham complexo de Édipo de forma extremamente explicita!
Eu como católico detestava as coisas que eles faziam com os muçulmanos, e eis a explicação:
O cara nasce em uma cultura onde desde a infância o sentido de tudo é Deus, tudo o que esse cara quer, devido ao seu aprendizado, é ir para o céu. Lógico que existem pessoas más, que se usam dessa disciplina religiosa para ter poder em mãos, porém o cara que é tido como fanático, ele está fazendo algo que para ele simboliza seu amor maior ao que faz mais sentido em sua vida. Por isso não existe medo da morte por parte dessas pessoas. Essa forma de apresentar Deus é bastante diferente do Deus cristão, pois, Ele se apresenta um pouquinho mais a cada dia, ou seja, é o chamado Deus oculto. Existe uma analogia bastante interessante que demostra essa diferença "O Deus do islã se apresenta como o sol, que desde a idade menos madura é um fato indiscutível a sua presença, enquanto que o Deus cristão se aparece aos poucos, você a cada dia vai O conhecendo, ou seja, Ele te dá uma felicidade nova por dia!"
Julgar os terroristas é fácil, pois matam pessoas inocentes, porém no caso desses cartunistas eles não eram tão inocentes assim, eles tinham prazer em escarnecer o que é de mais importante na vida dos outros... Quem não crê não faz ideia de como é doloroso ver o que você almeja todos os dias estar em imagens pornográficas ou que rebaixam a um nível de que os nazistas faziam com os judeus (comparavam os mesmos com macacos pois eram menos desenvolvidos intelectualmente).
O pior de tudo é que eles sabiam do risco que corriam e até andavam com escolta policial, logo acreditavam que atentados contra eles eram fatos possíveis! 
O grande problema de um atentado é que para o mesmo ser objetivo, ou seja, destruir o alvo, ele não vai ser cirúrgico (matar somente uma pessoa), ele vai ser generalizado, ou seja, vai matar tudo o que tem a volta para garantir que o alvo não escape. Então esses cartunistas colocaram em risco a vida de muitas outras pessoas, e isso não é uma coisa que a mídia fala! Eles tem culpa sim da morte das outras pessoas e que isso fique claro para quem está defendendo esses marginais.
O que eles faziam não era arte, mas sim a disseminação de preconceito religioso!
Hoje quando se publica algo referente a preconceito étnico, sexual e social, quem o faz pode ser punido... mas por que preconceito religioso é considerado algo tão passível a ser tolerado. Isso tem que acabar... e as pessoas que agem preconceituosamente frente a qualquer pensamento religioso tem que ser criminalizada sim!
A religião envolve doutrina, filosofia, cultura e fé, a fé é algo extremamente complexo de explicar, por isso muita gente não entende o que a mesma é, pois não compreendeu a grandeza envolvida em tal conhecimento. Como citei a religião envolve também cultura, e preconceito cultural também é crime. Se eu ridicularizar algo que uma pessoa não crente em deus gosta ou acredita (sim quem se diz não crente é burro, pois crença é algo implícito na epistemologia... para propor algo você precisa acreditar em tal coisa) eu serei chamado de preconceituoso.
Então antes de chamar esses cartunistas de mártires pense no ódio e preconceito que eles estavam disseminando... era algo criminoso!


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ciência falha e limitada - A cognição humana limita a ciência!

A limitação cognitiva humana nos leva a uma barreira frente a capacidade de levantamento de dados para a interpretação da natureza.
A ciência nada mais é do que uma forma de levantamento de dados para conseguir a interpretação do que é físico, ou seja, não passa de um modelo de leitura do que está presente na natureza. Outras formas de modelos interpretativo do natural são o senso comum e também a religião (a religião extrapola a interpretação do natural, por também tentar interpretar o sobrenatural). Porém são os modelos principais que existem para interpretar a natureza.

O ser humano é um ser integrante da natureza, criado por Deus dentro de um universo limitado leis (forças imperantes na natureza), logo, se algo conseguir extrapolar tais forças, mostra-se não natural. A cognição humana é dependente de estímulos primitivos os quais nos levam ao desenvolver de uma epistemologia do todo que nos cerca, além disso, o cérebro necessita de energia produzida pelo corpo humano para funcionar de uma maneira a desenvolver o maior número de caminhos neurais para que o pensar (raciocinar) seja o mais otimizado possível.

Logo a capacidade cerebral é limitada por tais barreiras físicas (energia e necessidade de estímulos primitivos), com isso, nossa cognição não pode ser ilimitada, o que culmina na não possibilidade do desenvolvimento de uma ferramenta (ciência no caso) que consiga extrapolar o que a cognição humana não consegue abstrair, pois o que não é de simples abstração para o cérebro não pode ser reportado como dados (dados são as respostas da natureza que são traduzidas pela ferramenta ciência).
Uma forma de conseguirmos compreender que a ciência é um modelo que não pode explicar tudo é pensar da seguinte forma:


“Digamos que temos um computador, e que está um dia quente, esse computador tem seu cooler (ventoinha de refrigeração) funcionando acima da média, então o computador para de fazer alguns processos e aparece uma mensagem de superaquecimento na tela assim o usuário diz que o responsável por tal fato foi que o cooler queimou e o computador parou, dizendo isso sem abrir o computador, uma vez que o mesmo teve seu gabinete soldado, ou seja, o usuário não tem como abrir o computador. Porém na realidade o que aconteceu foi o seguinte, um elástico que prendia um fio que estava inutilizado derrete por causa do calor e esse fio cai bem no meio da ventoinha do cooler, o que prende a mesma e não deixa que o processador seja refrigerado”


O computador é a natureza, a mensagem na tela os dados colhidos, e o dizer que o problema foi o cooler quimado a interpretação, ou seja, a natureza é um gabinete soldado, que não podemos abrir para dizer realmente o que está acontecendo, temos somente uma visão superficial do problema. Podemos conseguir resolver o problema (refrigerando externamento o gabinete com um ventilador) mas o real problema não conseguimos explicitar, pois ver que o cooler não está queimado, mas sim bloqueado, torna-se impossível.




A ciência funciona dessa forma, ela explicita o que é de simples abstração, mas não quer dizer que é a verdade absoluta, sendo possível dizer ser verdade absoluta somente dentro do modelo proposto como no qual a ferramenta usada é funcional.

A situação de uma ventoinha queimada é muito diferente de uma ventoinha bloqueada, portanto, torna-se claro que a a ciência é uma ferramenta limitada a capacidade cognitiva humana.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Cristianismo e Mitraísmo eram a mesma coisa?

Muitas pessoas que criticam o cristianismo, usam como jargão o fato de antes dos imperadores romanos o aceitarem como religião oficial do império, o cristianismo tinha um forte concorrente entre as chamadas religiões pagãs e era o Mitraísmo esse concorrente.

Essas pessoas usam a ideia de que o cristianismo usou de artimanha a cópia de diversos fatos dessa religião, pois usam como data do nascimento da figura central a 25 de dezembro e de Mitra ser um deus de caráter benevolente. Porém quando analisamos superficialmente o que é o Mitraísmo, reconhecemos facilmente que essa antiga religião foge do contexto do cristianismo.

Um outro fato que pessoas menos esclarecidas também confundem é que o adorno que os bispos usam na cabeça, que é a mitra, é vinculado a figura do ser mitológico, dizem eles. De fato a deidade Mitra aparece com um adorno cobrindo a cabeça, porém, a mitra episcopal não é vinculada a tal fato, mas sim o nome mitra vem do grego e significa faixa para cabeça. A mitra tem origem no camelauco que por sua vez surge do fato de que a tradição contra que Pedro usava um sudário (pano para limpar o suor da testa) na cabeça durante sua missão.


O nome da deidade vem do assírio e era chamado Mylitta e tem muito mais a ver com o termo militar do que com o termo mitra do grego. Esse fato é comprovado, uma veze que Mitra era a deidade mais popular dentre os soldados das diversas regiões onde se pregava o seu culto.

Mitra é simbolizada como uma mulher degolando um touro, uma vez que a mulher representava a pureza e o touro degolado a liberação do pecado. A atitude do degolar era comum na cultura judaica e provavelmente incorporado pelos mitraístas, pois simboliza o ato de passar o pecado a um ser que o recebesse e morresse pelo pecador. Uma mulher degolando o receptáculo do pecado simbolizava a pureza vencendo a fuga para o mal. O cristianismo é derivado da cultura judaica, porém não poderia ter copiado a ideia de redenção dos pecados do mitraísmo, logo o mitraísmo que herdou tal ideia. Além da espiação, o sangue jorrado representava a imortalidade, uma vez que as pessoas dessa época consideravam que o sangue guardava a vida do ser, pois sempre que o mesmo esvaia, o maculado vinha a óbito.

Mitra era simbolizada como o Sol Invicto pelos romanos, pois a mesma era considerada a deusa da benevolência, dos soldados, da pureza, da vitória dentre outras coisas. Uma curiosidade referente a Mitra é que a Estátua da Liberdade, que se encontra na Ilha de Manhattan (um presente da França aos EUA), tem seus traços inspirados nessa deusa.

A deusa Mitra inflige o sacrifício enquanto que Cristo recebe o sacrifício, logo é um antagonismo e uma quebra de paradigma para o período. 

Mitra é nascida no dia 25 de dezembro, pois é o solstício de inverno (em torno de 22 de dezembro no hemisfério norte), e esse era um período onde haviam festas e as pessoas vislumbravam algo de bom, muitos conflitos eram sessados nessa época. Diversas religiões escolheram essa data para simbolizar o nascimento de seu símbolo maior, pois era o nascimento da boa nova para eles.

O Mitraísmo era uma religião que tinha raízes na ideia de oposição entre o bem e o mal e do espírito e a matéria, logo, era toda baseada no dualismo. Algumas vezes isso pode parecer comum ao cristianismo, porém isso não procede, pois o cristianismo não gera uma luta entre o bem e o mal, mas somente o foco ao bem, e também não gera o conflito da matéria com o espírito, uma vez que o próprio Cristo se fez carne entre nós.

A deidade também se mostra próxima a Apolo e a Thor, pois corria no céu com uma biga ou carruagem que puxava o sol, espantando o mal (trevas), mais uma semelhança com o caráter de dualidade das raízes da religião mitraica.

Portanto cristianismo e mitraísmo não são tão parecidos quanto parece.  

sábado, 14 de junho de 2014

A Cruz invertida seria um Símbolo Satânico?

Na mitologia moderna, muitas vezes busca-se simbologias de períodos medievais ou mesmo pré-medievais, para que se possa criar histórias, analogias e mesmo lendas para destruírem alguns mitos. Porém muitas vezes a utilização dessas simbologias acabam que por serem levianas, pois quem às propõem não tem conhecimento frente ao fundamento de tais símbolos.

Muitas pessoas, que por se sentirem incomodadas com a Igreja, pois acreditam que a mesma só tem regras para limitar a liberdade humana (ideia dessas pessoas em grande maioria ligada ao caráter sexualidade), acabam ficando traumatizadas com uma restrição que a instituição sugere frente ao bom convívio social (uma vez que as constituições dos países ocidentais e grande parte do texto de direitos humanos, são baseadas no cristianismo como estrutura básica do bom convívio social), e dessa forma como uma ação de contra controle se rebelam e tentam criar movimentos para baterem de frente com o que eles não concordam.

O grande problema é que essas pessoas esquecem de uma premissa: "Se consideramos que a Igreja responde por Deus, logo, devemos nos adequar a Deus e não Ele a nós!"

O não concordar com algo, não deve ser sinônimo de revolta, mas sim de procurar compreender a questão do por que não se concorda com tal fato que a grande maioria aceita como correta. A revolta frente a uma "regra" não pode ser impulsiva e sem estudo, pois ela acaba somente gerando respostas infundadas para o traumatizado.

Um exemplo é o de uma imagem que surgiu na idade média e que é muito difundida dentre os revoltosos com a Igreja Católica.

Acreditava-se que o céu ficava em direção das nuvens e o inferno em direção ao solo, logo, se uma imagem tivesse sua cabeça virada para o chão, ela teria seus pensamentos no inferno e não no céu, o que nos remete ao Satanismo.

Imagens que são consideradas Satânicas geralmente seguem esse padrão, portanto é comum ver o Crucificado de ponta cabeça, para simbolizar o inverso do bem. Porém, essa imagem na idade média não se referia ao satanismo e ainda hoje no leste europeu ela não tem ligação icônica com o demônio necessariamente. Mesmo no Vaticano essa imagem muitas vezes é comum, o que intriga as pessoas e logo começam acreditar que existe um caráter demoníaco na Igreja.

A simbologia da cruz invertida ganhou essa conotação errônea devido a ignorância que as pessoas tem frente ao caráter de simbologia antiga. Na verdade a Cruz Invertida, de satânica ela não tem nada, mas sim, é um grande símbolo que comprova a fé do usuário nos Papas e muitos mártires da Igreja Católica, que foram crucificados de forma invertida para servirem de diversão aos Romanos.

Visita de João Paulo II à Terra Santa em destaque o Trono Papal com a Cruz de Pedro.

São Pedro é o mártir mais famoso que foi crucificado de forma inversa, muitas pessoas costumam dizer que ele assim foi crucificado pois não acreditava ser digno de morrer da mesma forma de Cristo, porém, esse fato é apócrifo, na realidade essa estava se tornando uma prática entre os Romanos, para se divertirem e até mesmo causarem uma morte mais dolorosa a essas pessoas. 

Martírio de Pedro na Cruz invertida: Símbolo Papal.

Como São Pedro foi o primeiro Papa e assim é reconhecido não somente pela Igreja Católica, mas também pela Igreja Ortodoxa, o símbolo da cruz invertida acabou sendo vinculado ao Papado. Portanto o uso da mesma não quer referir-se a um agente do demônio, mas sim um agente que acredita na palavra do Papa como verdadeira voz de Deus quando se pronuncia em ex-cátedra.

Resumindo: Existem muitas pessoas que são revoltadas com algum determinado fato que a Igreja diz como verdade e tentam agir com algum contra controle, porém na realidade, estão somente propagando um sinal de fé que não tem ideia de sua simbologia.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Divinação do pensamento: Mitologia.

Um fato interessante que permeia a cultura de todas as civilizações, sejam ao norte, ao sul, leste ou oeste é a presença da adoração a algo. Essa adoração se dá ou se davam, pela observação de fenômenos que não podem ou podiam ser compreendidos inicialmente pois não havia tecnologia suportável no período.

Porém as observações mesmo sem a utilização de equipamentos, se mostraram bastante arrojadas e verdadeiros saltos no compreender humano. Uma delas foi a observação frente a constituição da matéria de Demócrito, um filósofo grego que viveu 370 a.C. Ele observou uma praia do alto de uma colina e percebeu que os pequeninos grãos de areia não podiam ser distinguíveis daquela distância, mas essas pequenas partículas eram responsáveis, em grande quantidade, por compor toda a extensão da praia. Demócrito então a partir dessa observação definiu que tudo era formado por pequenas partículas.

A princípio chamaram Democrito de louco, pois o todo não podia ser tão simples assim, e então descartaram a sua ideia. Passaram séculos e com o desenvolvimento da ciência a nível microscópico, retomaram a ideia desse filósofo, pois com uma observação mais próxima da matéria, constatou-se que ela podia ser dividida em pequenas unidades. Essas pequenas unidades são os átomos, fato esse que Demócrito por uma simples observação de um praia, uma quebra de paradigma, conseguiu formular uma teoria que descrevia a realidade com muita simplicidade.

Demócrito de Abdera

Com o desenvolver dos métodos científicos, adoração que se dá pela observação do não compreensível, começou a ser substituída pela adoração do compreensível.

O filósofo que estávamos a discutir, viveu em um período onde a Grécia tinha religião politeísta, com deuses extremamente caracterizados com traços humanos, eram vingativos e se usavam dos mortais para realizarem seus desejos. Essas características se davam pelo fato dos governantes terem observado que o medo era uma forma boa de controle do povo, fato esse, que foi explicado por Nicolau Maquiavel em 1513 em sua obra máximo "O Príncipe". Mostrando que o "desconhecido" as vezes pode também ser usado como forma de controle de massas. Porém esse desconhecido não é desconhecido dos governantes, que os modelam a sua vontade.

Essa ideia de deuses com características humanas, e que podiam tomar atitudes de controle, não é uma ideia única da Grécia, no Egito, em Roma, na Ásia e Escandinávia, essa ideia se disseminou, e como reflexo disso, formaram-se grandes impérios.

Portanto fica claro que a humanização das ações de uma divindade expressa em algo não explicável presente na natureza, não passa de uma grande alusão a atos de governantes que se usam de um engodo para traçar os rumos de um grupo social.

As alusões mais explicitas se dão na figura do imperador deus, sendo os romanos, os egípcios, chineses, japoneses e escandinavos os mais conhecidos.

Dentre esses, os menos famosos são os escandinavos, conhecidos como Vikings, que incorporaram muito da cultura grega, assim como os romanos, e trouxeram a divindade a seus governantes. Poucas vezes são falados de reis Vikings que eram considerados deuses, mas somente a figura do Panteão, que é a especificação do Olimpo, o local de reunião dos deuses e a figura do Valhalla que corresponde aos Campos Elísios onde o homem descente descansa após a morte, já nos dá muitas informações de como havia um controle na região. O Valhalla era aberto somente a quem caísse em combate, ou seja, era um engodo criado pelos governantes "deusificados" na figura de um ser perfeito, porém com a intenção de conquistarem mais terras. Os deuses Vikings não eram considerados imortais, mas sim mortais e passíveis a morte se não comessem a maçã de Iounn, uma grande alusão a ideia do fruto do paraíso, característica introduzida pela mitologia cristã.

Fenrir filho de Loki, subjugado após o Ragnarok, onde Vidar, filho de Odin, o mata abrindo sua boca e então rasgando-o ao meio. A lança retrata o poder de Odin mantido em seus descendentes, uma vez que ele é morto por Fenrir no Ragnarok, ou seja, os deuses não passavam de figuras presas a um destino de exílio existêncial.

Do passado para o presente, as ideias da divinação é bem comum, sendo que hoje ainda existem pessoas que são tratadas como sobrenaturais. Mas também é comum as pessoas de hoje abdicarem do sobrenatural para acreditar na tecnologia e fundamentarem sua fé na mesma. 

Portanto surge a pergunta:
"A mágica não era a tecnologia do passado, se ela hoje é considerada obsoleta, pois criava um engodo ao racional humano, a tecnologia e a ciência em tempos futuros também não serão meios de se criar o engodo frente a fé?"

A resposta é clara e simples, nem a mágica e nem mesmo a ciência podem subjugar a fé, pois ela se baseia em algo que extrapola o que é racional humano e naturalmente físico. A fé se basei em Deus e não em divinações que possuem características atitudinais humanas, como era comum nas culturas Egípcias, Gregas, Vikings, Chinesas etc...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Deus não tem que ter necessidade de nada, muito menos a necessidade de ser lógico e ou racional.

Logo abaixo temos uma passagem da primeira carta de Paulo aos Corintios.

1 Coríntios 3:16-23

16 Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?

17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.

18 Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.

19 Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.

20 E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.

21 Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;

22 Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso,

23 E vós de Cristo, e Cristo de Deus.

Essa passagem é muito rica e deixa bem claro como muito do pensar humano se engana frente a figura de Deus. Todos nós, seres humanos, além do caráter falho de sermos pecadores somos imersos na natureza, que foi criação de Deus sem dúvida nenhuma, e dessa forma nosso pensar é limitado ao que a natureza nos passa como concreto, ou seja, o cérebro interpreta o que é desconhecido para ele com uma imagem ou sensação que é comum e conhecida. E isso ocorre para com a figura de Deus e suas ações para com o meio que somos imersos.

Muitos filósofos acreditam que Deus tem necessidade de ser lógico e racional, porém, essa é uma necessidade que implica no limitar de Deus. Quando pensamos que Ele tem que ser racional e lógico, estamos tentando usar uma necessidade humana para definir a Deus. Porém nem sempre as ações de Deus tem necessidade de serem lógicas extrapolando a racionalidade facilmente.

É muito comum usarmos de pensamentos que foram desenvolvidos pelos filósofos racionalistas como Espinoza para interpretarmos a relação de Deus e a Natureza, porém Deus e Natureza não são uma só pessoa. Deus é muito superior à Natureza, pois Ele a criou, não sendo limitado pelas forças e mecanismos que ocorrem na mesma. Logo racionalizar Deus como e Suas ações como compreensíveis o tempo todo, é somente dizer que o pensar humano é capaz de dominar a Ele.


Criação do Mundo - Pintura de Michelangelo na Capela Sistina.

Também é bastante comum as pessoas mais leigas dizerem que a natureza é perfeita pois ela age de forma organizada e não existe desequilíbrio, que tudo segue um padrão de cosmo e não de caos. Porém toda a natureza acaba sendo ilógica, pois ela não tem um padrão, existem diversas mutações e sistemas que funcionam tendendo ao caos e não ao equilíbrio.

O corpo humano somente se mantém vivo enquanto se tem uma desordem do equilíbrio em reações químicas que produzem energia, ou seja, enquanto se tem o desequilíbrio (mais formação de produto do que de reagente nas reações reversíveis), o corpo humano se mantem vivo, porém, quando todas as reações chegam a um equilíbrio termodinâmico, o corpo vem a óbito, pois se existe equilíbrio, significa que não existem reações químicas ocorrendo mais (sabemos que após a morte ainda ocorrem diversas reações no corpo, porém nenhuma delas a nível de serem fundamentais por manterem o organismo passível a se manter com vida).

Portanto se nem mesmo a natureza segue uma sequência lógica (a ideia de que o organizado e simples é o lógico e racional), como podemos dizer que Deus vai ter que ser obrigado a ter essa necessidade?

Logo, não podemos dizer que só porque o pensar humano se desenvolve sobre uma ferramenta conhecida como lógica e racionalidade, Deus tem que ser lógico e racional, pois se Ele fosse, e um dia algo natural extrapolar a lógica e o racional, Deus seria um mero delírio do homem. Fato esse que somente está na esfera do pensar humano.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Monoteísmo - Um pouco sobre sua origem.

Conseguir datar um período histórico de surgimento do monoteísmo é extremamente complexo, pois existem registros de grupos humanos extremamente antigos que adoravam uma única deidade. Não sabe-se dizer se esses grupos somente possuíam uma única deidade pelo fato de não terem desenvolvido abstração para reconhecer os efeitos naturais inexplicáveis na época e conectarem a ideia dessa falta de explicação ser a ação de uma força fora da natureza, ou se a adoração a uma única deidade se relaciona a ideia de que um deus não se limitaria a uma característica só.

O cristianismo e o islamismo se fundamentam no judaísmo que é uma religião monoteísta, levando assim uma dificuldade de compreender como se desenvolve a epistemologia da crença monoteísta para um cristão tanto antigo quanto moderno.

Porém antes de buscarmos a ideia de monoteísmo, temos que saber que existem ao menos duas formas de pensar bastante próximas do monoteísmo e são elas o Henoteísmo e a Monolatria.

* Henoteísmo: Adorar um deus único, aceitando a existência, ou possível existência, de outras divindades. Ou seja, é muito parecido com passagens do Antigo Testamento, onde o povo Hebreu aceitava a ideia de um Deus do seu povo, porém não descartavam que os egípcios também tinham as suas divindades.

* Monolatria: O reconhecimento da existência de muitos deuses, mas com a adoração consistente de uma única divindade. Parecido com o que os gregos faziam em idolatria a um deus, se dedicando e servindo a uma divindade, se sagrando clérigos e servas de deuses como Apolo ou Atena.

 Apolo: O deus grego do sol, corria com uma biga pelo céu, puxando o sol acorrentado na parte de trás, sendo que representava a luz do dia. Foi um dos deuses mais cultuados na grécia.

Essas formas de interpretação das crenças podem em muito ter fortalecido o monoteísmo como uma corrente forte dentro das religiões.

Dentro do próprio monoteísmo temos diversas formas de o enxergar:

* O deísmo postula a existência de um único deus, o criador de tudo na natureza. Alguns deístas acreditam em um deus impessoal que não intervém no mundo, enquanto outros deístas acreditam na intervenção através da Providência. Existem bases do cristianismo que se fundamentam nessa forma de pensar, onde deus não precisa ser o responsável por um evento natural de forma direta, sendo que tal fenômeno ocorre simplesmente por consequência de Deus ter criado a natureza.

* O panteísmo sustenta que o Universo em si é Deus. A existência de um ser transcendente estranho à natureza é negado.Um pouco da ideia de Deus sustentada do Espinoza remete ao panteísmo, pois ele ligava Deus à natureza e a natureza a Deus, não podendo desvincular um do outro.

* O panenteísmo é uma forma de monoteísmo monista, que sustenta que Deus é todo da existência, que contém, mas não é idêntico ao, Universo. O único Deus é onipotente e onipresente, o universo é parte de Deus, e Deus é tanto imanente quanto transcendente.

* O monismo é o tipo de monoteísmo encontrado no Hinduísmo, englobando o panteísmo e o panenteísmo, e ao mesmo tempo, o conceito de um Deus pessoal. 

* O monoteísmo substancial, encontrado em algumas religiões indígenas africanas, sustenta que os inúmeros deuses são formas diferentes de uma única substância subjacente. Ou seja os deuses são expressões da natureza como um todo, sendo que esses deuses podem ser limitados pela mesma. Algumas religiões do centro da Europa também tinha características bastante próximas dessas religiões africanas. Essas formas de pensar acabavam por levar ao surgimento de seres baseados nos elementos, conhecidos como Elementais, que podem ser reconhecidos em todas as religiões de características tribais.

 Cernunno: Deidade do politeísmo celta, também conhecido como deus com chifres, sendo uma representação zooantropomorfa de homem com cabeça de cervo, levando a ligação da natureza ao homem, formando a crença aos elementais. Não se sabe qual era o culto a essa deidade, acredita-se que seja algo vinculado a fertilidade, uma vez que possui um aspecto muito próximo de um Sátiro da mitologia grega.

* O monoteísmo trinitário é a doutrina cristã da crença em um Deus que É três diferentes pessoas; Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A crença cristã sobre a individualidade de Deus se mostra a mais complexa, pois não existe uma explicação simples da necessidade de Deus Ser três pessoas ao mesmo tempo. Porém é a que mais se aproxima de um Deus que extrapola a natureza e a epistemologia humana, uma vez que as deidades são sempre baseadas em fatos que se manifestam na natureza.

Mais informações em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Monote%C3%ADsmo