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sábado, 7 de julho de 2018

O aborto jamais será aceito por um cristão!

O Papa Francisco frisa bem que o aborto não é uma questão teológica, mas sim, científica... Ou seja... A Igreja pode se pronunciar, mas com intuito educacional dos fiéis, traduzindo o escopo científico para o escopo teológico.



Ciência e religião não são antagônicas, mas sim, complementares. A primeira se trata das definições físicas e a segunda das questões metafísicas.

No que se refere ao aborto, antes de se criarem as leis e direitos, existe a necessidade de se definir o instante de "estalo" de vida.

Esse "estalo" tem que ser embasado na definição mais básica de vida. Como se orientar nisso então? 
O reino monera (não sei se usam essa classificação ainda) é composto por seres que em geral não possuem alto grau de complexidade no que se refere às organelas e, são caracterizados como vida por características de comportamento (reprodução e alimentação). Todavia um vírus (não faz parte do reino monera) não possui organela complexa alguma, mas um comportamento básico de vida, no caso, a reprodução. Então surge uma pergunta... Por que um vírus necessita se reproduzir se não é vivo?... Logo, a definição do que é vivo ou não, se encontra sobre uma base muito frágil.

No que se refere à vida humana, um zigoto é a forma mais básica do ser, sendo formado por um espermatozoide e um óvulo. Tanto o espermatozoide, quanto o óvulo possuem organelas complexas e 50% do material genético que define um ser humano (o 100% em geral são 46 cromossomos... Uma vez que pessoas com síndrome de dawn tem um cromossomo a mais e, são seres humanos, por isso o termo "em geral"). Logo, a definição de vida humana tem que ser estudada já no zigoto. O zigoto tem como única função "crescer" e multiplicar suas células para levar a formação macroscópica de um corpo. Logo, pode-se dizer que, existe um "comportamento" zigótico, em outras palavras, um zigoto vai levar a uma estrutura corporal humana. Dessa forma, a vida não pode ser caracterizada se, existe ou não, semelhanças físicas com um corpo humano já constituído. Logo um zigoto pode sim ser caracterizado como um feto.

A ciência não consegue cravar se um vírus é ou não vida (existe sim essa lacuna, por mais que as pessoas tentem afirmar que não, pois viram em seus cursos de ciências que a vida possui necessidade desde comportamento até necessidade de descargas elétricas em sistema nervoso de seres mais complexos), por consequência, a atitude mais conservadora é a mais lógica. Essa atitude é importante pois se está lidando com a definição de vida e, não pode haver erros. Se ocorrerem erros e, realmente for vida, temos genocídio... Se realmente não for vida, não ocorrem problemas. Por isso a posição conservadora sempre é usada em ciência.

Assim, por silogistica chegamos: Se um feto é vida humana e, assassinato é a extinção premeditada de uma vida, então, a extinção premeditada da vida de um feto é um assassinato.

Se for definido que um feto é um ser humano, por definição ontológica, ele já é um "ser", se é um "ser" se enquadra como integrante da sociedade. Se é um integrante da sociedade já existem leis que garantem seu direito à vida, sendo um aborto uma ação que resulta em tentativa de assassinato e lesão corporal, logo, passível à processo para quem promove.

Ou seja, para que a legalização do aborto ocorra, deve-se abrir o pretexto do abrandamento de crimes... No caso o abrandamento do assassinato.

Logo, por diversos aspectos o aborto não é lógico.

E notem que, não se relaciona nada a termos teológicos a discussão, mas sim, somente a termos científicos e legais.



Todavia, para quem quer uma posição religiosa:

Desde o século I a Igreja tem a consciência de que o aborto é pecaminoso. Assim, por exemplo, diz a Didaqué, o primeiro Catecismo cristão, datado de 90-100:
“Não matarás, não cometerás adultério… Não matarás criança por aborto nem criança já nascida” (2,2).

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Uma ponte interpretativa entre a epistemologia científica e a crença no mundo metafísico.

De uns tempos para cá, venho estudando epistemologia da ciência, o que tem garantido novas ideias sobre o pensamento teológico também. Um fato bastante interessante, que descobri a pouco tempo e, que somente agora, consegui concatenar uma ideia básica, sobre um pensamento que se relaciona a ferramenta científica com a extrapolação do natural, em outras palavras, uma ponte mais estruturada entre a interpretação da natureza e a metafísica,.

Essa ideia, se baseia no referencial teórico de Gaston Bachelard, que foi um epistemólogo francês especialista na interpretação de como a ciência é apresentada, se desenvolve e é interpretada pelas pessoas. Uma de suas principais obras é "O Desenvolvimento do Espírito Científico", todavia, não se surpreenda com o termo "espírito", o qual não se vincula a característica transcendental, mas sim, mais ligado a uma característica de ação, saber trabalhar, compreensão, pensamento sobre algo, etc.

Figura 1: Gaston Bachelard
Dessa forma, o Desenvolvimento do Espírito Científico, resumidamente, se baseia no que Bachelard intitulou de 3 estados do desenvolvimento do espírito científico. O primeiro estado, se relaciona  ao pensamento que somente se vincula às primeiras impressões, ao senso comum e a exaltação da natureza. Esse estado do pensamento científico é conhecido como "Estado Concreto", em outras palavras, é o estado em que as reflexões científicas são limitadas somente ao mundo concreto. Dentro desse escopo, temos como por exemplo, as observações de fenômenos naturais e a aceitação deles como um todo (ocorre por si mesmo, ocorre pois tem que ocorrer). A nível matemático, somente problemas de níveis mais básicos, como os geométricos, são considerados, ou mesmo, que tem aplicação direta ao concreto tangível.

O segundo estado do desenvolvimento científico, é conhecido como "Estado Concreto-Abstrato", sendo que, é um estado de desenvolvimento mais avançado ao do Estado Concreto. Nesse momento, a pessoa se encontra num estágio que começa a aceitar o pensamento abstrato, mas ainda não consegue compreender como um todo o pensamento abstrato. Obviamente, dentro do escopo do Estado Concreto-Abstrato, a pessoa inicia pensamentos que extrapolam o que existe no tangível, em outras palavras, inicia-se uma aceitação de que existem coisas que não são possíveis serem percebidas com simples observações. Um exemplo dessa aceitação é a existência de vírus e bactérias que levam a doenças. A nível matemático, se inicia o trabalho com variáveis e incógnitas.

O terceiro estado é conhecido como "Estado Abstrato" e, se baseia, no momento em que a pessoa desenvolve capacidade cognitiva para compreender algo que extrapole completamente ao Estado Concreto. Esse fato é alcançado quando a pessoa consegue elaborar hipóteses que não se baseiem no senso comum, nas observações do tangível, no macroscópico, mas sim, que consigam elaborar ideias onde ocorra o desenvolvimento de uma projeção mental de algo mais abstrato. Exemplos desse estado mental se enquadram na compreensão de que os átomos não são pequenas bolinhas, mas sim, uma partícula que é descrita via funções de onda, ou seja, uma visão mais complexa e que necessita de mais conceitos prévios. A nível matemático, já se torna possível o trabalho e desenvolvimento de funções, sistemas, integrações, derivações, diferenciações e limites.

Creio que, agora possa ter ficado simples a observação, no que tange ao pensamento religioso. 

No caso, quem critica o pensamento religioso, tentando criar uma observação de mundo, a qual, somente a natureza se mostra como chave de todas e qualquer resposta, acaba se mostrando vinculado ao Estado Concreto, uma vez que não consegue desenvolver uma abstração extrapolativa do universo. Mesmo que, a nível científico, a pessoa se enquadre no Estado Abstrato, a nível cognitivo do todo, se mostra dependente da exaltação da natureza. Em outras palavras, não conseguiu extrapolar a ferramenta de interpretação da natureza, a qual, nos referimos como ciência. Nesse escopo, muitas vezes, existe uma grande confusão, onde a pessoa não consegue diferenciar ciência de natureza, ou ainda, do fechamento cognitivo para tudo que possa contrapor a ferramenta que ele usa.

Com isso, essas pessoas acabam se apegando muito à ferramenta de interpretação, a qual é dependente de conceitos, postulados e ideias formuladas para sua simples funcionalidade, esquecendo que, essa é uma invenção humana e, somente existe pois o ser humano existe, ou seja, a ciência é dependente do homem que a usa para ser funcional. Dessa forma, fechar o horizonte cognitivo nesse foco, acaba por limitar a percepção total de universo. Logo, se algo não se enquadra no escopo da ferramenta, ele não pode ser mensurado, se não pode ser mensurado não pode ser percebido, se não pode ser percebido então não existe. Todavia, notem que, a ferramenta de coleta de dados e de análise, possui limitações, pois foi desenvolvida para que gere significados cognitivos para os sentidos humanos. 

Entretanto, surgem questionamentos: "E os possíveis fenômenos que existem e, que ainda não são captados pelas ferramentas, devido a limitações físicas das mesmas... Não existem?... Não tem importância?"

Obviamente, se existem, esses fenômenos possuem importância, do contrário não teriam função, se não tem função, não possuem sentido e se enquadrariam em gasto energético... Fato esse que a natureza evita a todo custo, uma vez que busca estabilidade constante.

Existe também, um pensamento que retrata a ciência como uma formiga dentro de uma fazendinha dessas de plástico. O universo para ela é limitado ao que ela consegue observar (considerando o fato que a formiguinha possuísse um sistema de visão como o nosso), todavia, ela consegue apenas ver objetos muito grandes em sua totalidade, a uma determinada distância, a qual não seja nem muito perto ou mesmo muito longe. Entretanto, se o objeto estiver muito perto e, a formiguinha não conseguir reparar sua totalidade, o mesmo passará despercebido para ela (mesmo sendo gigantesco), por outro lado, se o objeto, mesmo que seja enorme, estiver longe, a mesma formiguinha, não irá conseguir percebe-lo, devido a sua limitação de observação.

Figura 2: A ciência pode ser classificada como uma forminha que não consegue ver nada além do seu foco limitado de vista, no que tange a sua característica fisiológica.
Ou seja, negar algo, devido ao fato de que o mesmo não seja perceptível pela ferramenta utilizada, não quer dizer que esse algo não exista. Um exemplo científico disso foi com o fenômeno da quantização energética dos elétrons em um átomo, explicando melhor, o elétrons possuem níveis de energia, os quais "qualificam", sua presença em um determinado local do espaço. Para isso, houve a necessidade de se desenvolver uma nova visão de mecânica, uma vez que a física clássica não mais correspondia ao fenômeno que agora estava se tornando perceptível, todavia, havia se mantido oculto, até que a ferramenta de coleta de dados e interpretação natural, viesse a se tornar apta para captar esses tipos de dados. Dessa forma, se originou a Mecânica Quântica.

Contudo, torna-se óbvio que, negar a Deus, pois O mesmo não É captado via a ferramenta de interpretação natural, não quer dizer que Ele não existe, mas sim que, Sua presença se enquadre em um escopo não natural. Todavia, para compreender essa observação, o questionador precisa extrapolar o Estado Concreto no Desenvolvimento do Espírito Científico.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Breve reflexão sobre o mundo acadêmico.

Eu sou químico com formação em educação e mestrado em quântica, e uma coisa que venho percebendo entre os acadêmicos da área de ciências físicas é que existe meio que um tabu... algo como se fosse uma obrigação... não querendo generalizar... mas muita gente torna-se ateu pois parece que essa é uma obrigação profissional.

Obviamente, na maioria dos casos que eu já vi, essas pessoas não tem muita consciência do que realmente é a ciência, sendo que, em muitas definições essas pessoas confundem ciência e natureza. Que são coisas distintas... logo, dentro desse escopo, se as pessoas não conseguem discutir bem as definições de ciências e mesmo de natureza... não vão conseguir discutir religião.

Dentro das características epistemológicas nós temos visões de mundo, sendo a científica uma delas, as outras são a visão religiosa, a visão do senso comum e a cosmológica.

Então, o que temos, são visões de mundo e não verdades absolutas. Para um sitiante no meio da caatinga, é muito mais simples crer na religião ou no senso comum do que na ciência. Uma vez que essa visão do mundo é excluída de seu escopo. O mesmo se aplica aos "cientistas" devido à omissão frente aos estudos teológicos.

Mas, o que mais me assusta é que, até hoje, não consegui discutir religião entre os "cientistas", pois as definições sobre o que é uma deidade são tão frágeis que não permitem a possibilidade de discutirmos um culto a tal deidade... sim, a fraqueza na argumentação sobre o definir a Deus (no caso frente ao Deus cristão) não deixam a conversa se estender e chegar na religião.

É claro que religião não é Deus, porém dizer que a religião é o mau da humanidade sem mesmo entender o que é uma religião... demonstra muitas falhas de aprendizado... a epistemologia de algo não se passa pela omissão... logo, se omitir frente a um saber, pois a pessoa não concorda, não trás aptidão para discuti-la.
Pena que muitos dos "cientistas" não compreenderam que ciência é uma ferramenta e não a explicação de algo. A explicação é muito mais metafisica, uma vez que se baseia numa abstração embasada em epistemologia e até em senso comum.

Se alguém gosta de ensino de química, tenho um outro blog, chamado Licenciando em Química, onde, explico e ajudo alunos e futuros professores na empreitada acadêmica.
Segue o link: http://licenciandoemquimica.blogspot.com.br/

Além disso também tenho um canal no youtube, chamado Ciência Química!, onde estou iniciando uma série de vídeos sobre História da Química. Segue o link de meu último vídeo: 

sábado, 26 de março de 2016

As atuais pesquisas sobre o Santo Sudário levam a uma dicotomia em relação a veracidade da Sagrada Escritura?

Mais uma vez estamos na páscoa, e junto desse momento de renascimento, também surgem algumas dúvidas sobre o sacrifício de Cristo.

Hoje não vou me prender na explicação da consciência de Cristo referente aos eventos que o cercaram, mas sim, ao fato sobre o que a ciência vem falando atualmente sobre o flagelo de Cristo e uma possível contradição com a sagrada escritura.

Uns meses atrás uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bréscia na Itália, utilizando uma fotografia do Sudário de Turim, desenvolveu um procedimento cefalométrico, onde estudaram o rosto impresso no tecido, gerando uma imagem em três dimensões, nas quais conseguiram estudar melhor os machucados do homem que sofreu o flagelo. Estou me referindo a um sujeito qualquer e não a Cristo por enquanto, para ser o mais imparcial possível.

Os estudos mostraram que o rosto impresso no tecido, possuí uma deformação que leva a crer ser um grande inchaço na mandíbula. Segundo a dentistas e médicos, esse inchaço na realidade corresponde a uma luxação na articulação temporomandibular, ou seja, o homem que foi envolto no tecido sofreu muitos golpes no rosto, até chegar ao ponto de ocorrer uma fratura na mandíbula.

Esse fato colocaria em cheque a profecia de que nenhum osso seria quebrado durante o sacrifício cruento do Messias, ou seja, criando uma dicotomia que leva a seguinte encruzilhada: "Se o tecido for realmente o Sudário de Cristo, então a sagrada escritura está errada, pois Cristo não poderia ter sequer um osso quebrado" ou "Se a sagrada escritura estiver certa, então o Sudário não é de Cristo, pois o rosto impresso mostra ter uma fratura grave na mandíbula".

Foto tirada do Sudário de Cristo em 1931.
A princípio pode parecer algo complicado de refutar, porém existe um porém não levado em consideração pelos céticos, e é relacionado com a definição de fratura de um osso. Para os judeus, romanos e para a maioria dos povos daquele período, uma fratura era reconhecida, somente quando havia o rompimento da carne, ou seja, quando existisse a exposição do osso. Obviamente também reconheciam fraturas não expostas, porém, que levavam a descontinuação do osso na pele. Provavelmente entre poucos povos o conhecimento de que uma luxação poderia representar uma fratura era efetivo, portanto, para as pessoas as quais a profecia foi exposta esse fato ainda não era conhecido.

Portanto, uma profecia teria que ser simples o suficiente para agregar informação a nível de situação e não somente de detalhes. A profecia não teria que explicar o que é uma fratura, mas sim, que não haveria uma fratura definível dentro da situação.

Além dessa característica óbvia da definição do que é uma fratura, também temos a identificação do momento esperado pela quebra de um osso. Esse momento se dá no adiantamento da morte na cruz que os romanos faziam, ou seja, eles causavam a morte por um fator não necessariamente da cruz, mas sim por uma asfixia espontânea. Quando uma pessoa era crucificada, além da hemorragia e da desidratação, essa pessoa ia perdendo a função pulmonar com o tempo, devido ao enrijecimento dos músculos do peito, costas, braços e pescoço, o que inviabilizava o ato de inspirar e expirar, porém isso poderia levar horas, ou mesmo dias, sendo que com isso os flagelados ficavam muito tempo expostos aos olhares de todos. 

Como a época era de páscoa, e muita movimentação popular ocorria, foi pedido que se removessem os corpos das cruzes o quanto antes, com finalidade de não gerar revoltas, devido ao fato dos flagelados poderem ser motivos de revoltas ou mesmo de identificação com mártires. Portanto para acelerar a morte, bastava quebrar as pernas dos condenados, o que removia o apoio do corpo e então levava ao estiramento de todos os músculos de suporte do corpo, provocando asfixia.

Quando a profecia diz que não haveria a quebra de nenhum osso de Cristo, ela se refere ao tipo de morte que o Messias teria, ou seja, a morte de cristo não seria por asfixia, mas sim por hemorragia. A ideia por morte de hemorragia é vinculada ao fato de que o sacrifício para o judeu é um evento cruento, ou seja, deve haver o escape de todo o sangue do sacrificado, uma vez que o sangue era considerado o envolucro da alma e da vida como um todo, uma vez que a perda de muito sangue levava e leva a morte.

Portanto, obviamente a sagrada escritura está correta, e mesmo com uma fratura no rosto, aquele tecido pode ser o Sudário de Cristo.

Fonte: http://www.infovaticana.com/2015/11/07/jesucristo-sufrio-una-luxacion-mandibular-por-los-golpes-recibidos/

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Um pouco mais sobre o deus das lacunas

Muitas pessoas por questão de tradição, acabam por refutar completamente de suas vidas a ciência, acreditando que a mesma não passa de um grande engodo com finalidade de destruir as religiões.
É óbvio que as religiões, principalmente às cristãs foram grandes apoiadoras do desenvolver de métodos científicos, e o grande intuito disso era de se criar um padrão de interpretação do que pode ser considerado milagroso, ou seja, algo que extrapola os meios naturais. Com isso a igreja católica foi a primeira instituição clerical que financiou e criou as primeiras universidades e corpos médicos.
Em alguns casos existe um certo confronto entre religiosos e cientistas... Pelo menos é o que querem que todos nós pensemos.
Quando se tenta provar que a ciência está errada pois ela se opõem a alguma parte da Bíblia, sem levar em consideração os fatos históricos e sociais de uma determinada região, somente se cria um monstro chamado deus das lacunas, que é baseado em argumentos falhos. É muito comum se confundir a inspiração divina com a verdade nua e crua descrita de maneira irredutível e sem figuras de linguagem, e essa falsa fé não é saudável ao cristianismo, pois leva o fiel ao fanatismo e não ao esclarecimento.

Quadro de Tintoretto: Criação dos animais. Alegoria do Gênesis
A ciência não é um meio da refutação de Deus, mas sim um meio do esclarecimento frente as ações do Altíssimo. Algumas vezes o que está escrito no Gênesis é tido como a verdade absoluta escrita com as próprias palavras que Deus usou para inspirar o escritor, sem considerar as metáforas e a necessidade do inspirado se usar de imagens simples para que o povo conseguisse criar uma foto mental do fato relatado e então difundi-lo. Seria ponderável o relator divino falar que nem todos os animais marinhos com nadadeiras não eram peixes, mas que algumas era mamíferos, assim como as cabras criadas entre as montanhas? Bem provavelmente isso poderia causar desconfiança e falácia sobre o que o inspirado relatava e dessa forma tudo se perderia nas areias  do tempo. Logo as imagens para simplificar a natureza foram necessárias para que um povo que ainda não tinha desenvolvimento científico suficiente para distinguir cetáceos de peixes, conseguisse abstrair a mensagem de que Deus criou um magnifico e inteligente mecanismo chamado natureza.
O grande problema do fanático é que essa pessoa não aprender a enxergar a inteligência de Deus, ou seja, Deus não cria coisas estáticas, que a todo instante necessita de Sua intervenção, desde o movimento de um elétron nos orbitais de um átomo, ou até o surgimento de galáxias, fazem parte do mecanismo inteligente que Deus criou, mas não quer dizer que uma pequena e infinitesimal mudança da rota do elétron ou de um fragmento de bólide se choque com um outro pedaço de rocha estelar, isso seja a ação inerente de Deus.
O ato impensado de que algo inútil seja atrelado a ação de Deus acaba por levar a ideia de que Deus não nos dá tanta liberdade, pois se Ele interfere a todo instante no natural, e nós somos pertencentes ao natural, logo não seríamos livres... Ou seja, um grande exemplo de deus das lacunas, uma grande hipocrisia!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Ciência falha e limitada - A cognição humana limita a ciência!

A limitação cognitiva humana nos leva a uma barreira frente a capacidade de levantamento de dados para a interpretação da natureza.
A ciência nada mais é do que uma forma de levantamento de dados para conseguir a interpretação do que é físico, ou seja, não passa de um modelo de leitura do que está presente na natureza. Outras formas de modelos interpretativo do natural são o senso comum e também a religião (a religião extrapola a interpretação do natural, por também tentar interpretar o sobrenatural). Porém são os modelos principais que existem para interpretar a natureza.

O ser humano é um ser integrante da natureza, criado por Deus dentro de um universo limitado leis (forças imperantes na natureza), logo, se algo conseguir extrapolar tais forças, mostra-se não natural. A cognição humana é dependente de estímulos primitivos os quais nos levam ao desenvolver de uma epistemologia do todo que nos cerca, além disso, o cérebro necessita de energia produzida pelo corpo humano para funcionar de uma maneira a desenvolver o maior número de caminhos neurais para que o pensar (raciocinar) seja o mais otimizado possível.

Logo a capacidade cerebral é limitada por tais barreiras físicas (energia e necessidade de estímulos primitivos), com isso, nossa cognição não pode ser ilimitada, o que culmina na não possibilidade do desenvolvimento de uma ferramenta (ciência no caso) que consiga extrapolar o que a cognição humana não consegue abstrair, pois o que não é de simples abstração para o cérebro não pode ser reportado como dados (dados são as respostas da natureza que são traduzidas pela ferramenta ciência).
Uma forma de conseguirmos compreender que a ciência é um modelo que não pode explicar tudo é pensar da seguinte forma:


“Digamos que temos um computador, e que está um dia quente, esse computador tem seu cooler (ventoinha de refrigeração) funcionando acima da média, então o computador para de fazer alguns processos e aparece uma mensagem de superaquecimento na tela assim o usuário diz que o responsável por tal fato foi que o cooler queimou e o computador parou, dizendo isso sem abrir o computador, uma vez que o mesmo teve seu gabinete soldado, ou seja, o usuário não tem como abrir o computador. Porém na realidade o que aconteceu foi o seguinte, um elástico que prendia um fio que estava inutilizado derrete por causa do calor e esse fio cai bem no meio da ventoinha do cooler, o que prende a mesma e não deixa que o processador seja refrigerado”


O computador é a natureza, a mensagem na tela os dados colhidos, e o dizer que o problema foi o cooler quimado a interpretação, ou seja, a natureza é um gabinete soldado, que não podemos abrir para dizer realmente o que está acontecendo, temos somente uma visão superficial do problema. Podemos conseguir resolver o problema (refrigerando externamento o gabinete com um ventilador) mas o real problema não conseguimos explicitar, pois ver que o cooler não está queimado, mas sim bloqueado, torna-se impossível.




A ciência funciona dessa forma, ela explicita o que é de simples abstração, mas não quer dizer que é a verdade absoluta, sendo possível dizer ser verdade absoluta somente dentro do modelo proposto como no qual a ferramenta usada é funcional.

A situação de uma ventoinha queimada é muito diferente de uma ventoinha bloqueada, portanto, torna-se claro que a a ciência é uma ferramenta limitada a capacidade cognitiva humana.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Cristianismo e Mitraísmo eram a mesma coisa?

Muitas pessoas que criticam o cristianismo, usam como jargão o fato de antes dos imperadores romanos o aceitarem como religião oficial do império, o cristianismo tinha um forte concorrente entre as chamadas religiões pagãs e era o Mitraísmo esse concorrente.

Essas pessoas usam a ideia de que o cristianismo usou de artimanha a cópia de diversos fatos dessa religião, pois usam como data do nascimento da figura central a 25 de dezembro e de Mitra ser um deus de caráter benevolente. Porém quando analisamos superficialmente o que é o Mitraísmo, reconhecemos facilmente que essa antiga religião foge do contexto do cristianismo.

Um outro fato que pessoas menos esclarecidas também confundem é que o adorno que os bispos usam na cabeça, que é a mitra, é vinculado a figura do ser mitológico, dizem eles. De fato a deidade Mitra aparece com um adorno cobrindo a cabeça, porém, a mitra episcopal não é vinculada a tal fato, mas sim o nome mitra vem do grego e significa faixa para cabeça. A mitra tem origem no camelauco que por sua vez surge do fato de que a tradição contra que Pedro usava um sudário (pano para limpar o suor da testa) na cabeça durante sua missão.


O nome da deidade vem do assírio e era chamado Mylitta e tem muito mais a ver com o termo militar do que com o termo mitra do grego. Esse fato é comprovado, uma veze que Mitra era a deidade mais popular dentre os soldados das diversas regiões onde se pregava o seu culto.

Mitra é simbolizada como uma mulher degolando um touro, uma vez que a mulher representava a pureza e o touro degolado a liberação do pecado. A atitude do degolar era comum na cultura judaica e provavelmente incorporado pelos mitraístas, pois simboliza o ato de passar o pecado a um ser que o recebesse e morresse pelo pecador. Uma mulher degolando o receptáculo do pecado simbolizava a pureza vencendo a fuga para o mal. O cristianismo é derivado da cultura judaica, porém não poderia ter copiado a ideia de redenção dos pecados do mitraísmo, logo o mitraísmo que herdou tal ideia. Além da espiação, o sangue jorrado representava a imortalidade, uma vez que as pessoas dessa época consideravam que o sangue guardava a vida do ser, pois sempre que o mesmo esvaia, o maculado vinha a óbito.

Mitra era simbolizada como o Sol Invicto pelos romanos, pois a mesma era considerada a deusa da benevolência, dos soldados, da pureza, da vitória dentre outras coisas. Uma curiosidade referente a Mitra é que a Estátua da Liberdade, que se encontra na Ilha de Manhattan (um presente da França aos EUA), tem seus traços inspirados nessa deusa.

A deusa Mitra inflige o sacrifício enquanto que Cristo recebe o sacrifício, logo é um antagonismo e uma quebra de paradigma para o período. 

Mitra é nascida no dia 25 de dezembro, pois é o solstício de inverno (em torno de 22 de dezembro no hemisfério norte), e esse era um período onde haviam festas e as pessoas vislumbravam algo de bom, muitos conflitos eram sessados nessa época. Diversas religiões escolheram essa data para simbolizar o nascimento de seu símbolo maior, pois era o nascimento da boa nova para eles.

O Mitraísmo era uma religião que tinha raízes na ideia de oposição entre o bem e o mal e do espírito e a matéria, logo, era toda baseada no dualismo. Algumas vezes isso pode parecer comum ao cristianismo, porém isso não procede, pois o cristianismo não gera uma luta entre o bem e o mal, mas somente o foco ao bem, e também não gera o conflito da matéria com o espírito, uma vez que o próprio Cristo se fez carne entre nós.

A deidade também se mostra próxima a Apolo e a Thor, pois corria no céu com uma biga ou carruagem que puxava o sol, espantando o mal (trevas), mais uma semelhança com o caráter de dualidade das raízes da religião mitraica.

Portanto cristianismo e mitraísmo não são tão parecidos quanto parece.  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Divinação do pensamento: Mitologia.

Um fato interessante que permeia a cultura de todas as civilizações, sejam ao norte, ao sul, leste ou oeste é a presença da adoração a algo. Essa adoração se dá ou se davam, pela observação de fenômenos que não podem ou podiam ser compreendidos inicialmente pois não havia tecnologia suportável no período.

Porém as observações mesmo sem a utilização de equipamentos, se mostraram bastante arrojadas e verdadeiros saltos no compreender humano. Uma delas foi a observação frente a constituição da matéria de Demócrito, um filósofo grego que viveu 370 a.C. Ele observou uma praia do alto de uma colina e percebeu que os pequeninos grãos de areia não podiam ser distinguíveis daquela distância, mas essas pequenas partículas eram responsáveis, em grande quantidade, por compor toda a extensão da praia. Demócrito então a partir dessa observação definiu que tudo era formado por pequenas partículas.

A princípio chamaram Democrito de louco, pois o todo não podia ser tão simples assim, e então descartaram a sua ideia. Passaram séculos e com o desenvolvimento da ciência a nível microscópico, retomaram a ideia desse filósofo, pois com uma observação mais próxima da matéria, constatou-se que ela podia ser dividida em pequenas unidades. Essas pequenas unidades são os átomos, fato esse que Demócrito por uma simples observação de um praia, uma quebra de paradigma, conseguiu formular uma teoria que descrevia a realidade com muita simplicidade.

Demócrito de Abdera

Com o desenvolver dos métodos científicos, adoração que se dá pela observação do não compreensível, começou a ser substituída pela adoração do compreensível.

O filósofo que estávamos a discutir, viveu em um período onde a Grécia tinha religião politeísta, com deuses extremamente caracterizados com traços humanos, eram vingativos e se usavam dos mortais para realizarem seus desejos. Essas características se davam pelo fato dos governantes terem observado que o medo era uma forma boa de controle do povo, fato esse, que foi explicado por Nicolau Maquiavel em 1513 em sua obra máximo "O Príncipe". Mostrando que o "desconhecido" as vezes pode também ser usado como forma de controle de massas. Porém esse desconhecido não é desconhecido dos governantes, que os modelam a sua vontade.

Essa ideia de deuses com características humanas, e que podiam tomar atitudes de controle, não é uma ideia única da Grécia, no Egito, em Roma, na Ásia e Escandinávia, essa ideia se disseminou, e como reflexo disso, formaram-se grandes impérios.

Portanto fica claro que a humanização das ações de uma divindade expressa em algo não explicável presente na natureza, não passa de uma grande alusão a atos de governantes que se usam de um engodo para traçar os rumos de um grupo social.

As alusões mais explicitas se dão na figura do imperador deus, sendo os romanos, os egípcios, chineses, japoneses e escandinavos os mais conhecidos.

Dentre esses, os menos famosos são os escandinavos, conhecidos como Vikings, que incorporaram muito da cultura grega, assim como os romanos, e trouxeram a divindade a seus governantes. Poucas vezes são falados de reis Vikings que eram considerados deuses, mas somente a figura do Panteão, que é a especificação do Olimpo, o local de reunião dos deuses e a figura do Valhalla que corresponde aos Campos Elísios onde o homem descente descansa após a morte, já nos dá muitas informações de como havia um controle na região. O Valhalla era aberto somente a quem caísse em combate, ou seja, era um engodo criado pelos governantes "deusificados" na figura de um ser perfeito, porém com a intenção de conquistarem mais terras. Os deuses Vikings não eram considerados imortais, mas sim mortais e passíveis a morte se não comessem a maçã de Iounn, uma grande alusão a ideia do fruto do paraíso, característica introduzida pela mitologia cristã.

Fenrir filho de Loki, subjugado após o Ragnarok, onde Vidar, filho de Odin, o mata abrindo sua boca e então rasgando-o ao meio. A lança retrata o poder de Odin mantido em seus descendentes, uma vez que ele é morto por Fenrir no Ragnarok, ou seja, os deuses não passavam de figuras presas a um destino de exílio existêncial.

Do passado para o presente, as ideias da divinação é bem comum, sendo que hoje ainda existem pessoas que são tratadas como sobrenaturais. Mas também é comum as pessoas de hoje abdicarem do sobrenatural para acreditar na tecnologia e fundamentarem sua fé na mesma. 

Portanto surge a pergunta:
"A mágica não era a tecnologia do passado, se ela hoje é considerada obsoleta, pois criava um engodo ao racional humano, a tecnologia e a ciência em tempos futuros também não serão meios de se criar o engodo frente a fé?"

A resposta é clara e simples, nem a mágica e nem mesmo a ciência podem subjugar a fé, pois ela se baseia em algo que extrapola o que é racional humano e naturalmente físico. A fé se basei em Deus e não em divinações que possuem características atitudinais humanas, como era comum nas culturas Egípcias, Gregas, Vikings, Chinesas etc...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Deus não tem que ter necessidade de nada, muito menos a necessidade de ser lógico e ou racional.

Logo abaixo temos uma passagem da primeira carta de Paulo aos Corintios.

1 Coríntios 3:16-23

16 Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?

17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.

18 Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.

19 Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.

20 E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.

21 Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;

22 Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso,

23 E vós de Cristo, e Cristo de Deus.

Essa passagem é muito rica e deixa bem claro como muito do pensar humano se engana frente a figura de Deus. Todos nós, seres humanos, além do caráter falho de sermos pecadores somos imersos na natureza, que foi criação de Deus sem dúvida nenhuma, e dessa forma nosso pensar é limitado ao que a natureza nos passa como concreto, ou seja, o cérebro interpreta o que é desconhecido para ele com uma imagem ou sensação que é comum e conhecida. E isso ocorre para com a figura de Deus e suas ações para com o meio que somos imersos.

Muitos filósofos acreditam que Deus tem necessidade de ser lógico e racional, porém, essa é uma necessidade que implica no limitar de Deus. Quando pensamos que Ele tem que ser racional e lógico, estamos tentando usar uma necessidade humana para definir a Deus. Porém nem sempre as ações de Deus tem necessidade de serem lógicas extrapolando a racionalidade facilmente.

É muito comum usarmos de pensamentos que foram desenvolvidos pelos filósofos racionalistas como Espinoza para interpretarmos a relação de Deus e a Natureza, porém Deus e Natureza não são uma só pessoa. Deus é muito superior à Natureza, pois Ele a criou, não sendo limitado pelas forças e mecanismos que ocorrem na mesma. Logo racionalizar Deus como e Suas ações como compreensíveis o tempo todo, é somente dizer que o pensar humano é capaz de dominar a Ele.


Criação do Mundo - Pintura de Michelangelo na Capela Sistina.

Também é bastante comum as pessoas mais leigas dizerem que a natureza é perfeita pois ela age de forma organizada e não existe desequilíbrio, que tudo segue um padrão de cosmo e não de caos. Porém toda a natureza acaba sendo ilógica, pois ela não tem um padrão, existem diversas mutações e sistemas que funcionam tendendo ao caos e não ao equilíbrio.

O corpo humano somente se mantém vivo enquanto se tem uma desordem do equilíbrio em reações químicas que produzem energia, ou seja, enquanto se tem o desequilíbrio (mais formação de produto do que de reagente nas reações reversíveis), o corpo humano se mantem vivo, porém, quando todas as reações chegam a um equilíbrio termodinâmico, o corpo vem a óbito, pois se existe equilíbrio, significa que não existem reações químicas ocorrendo mais (sabemos que após a morte ainda ocorrem diversas reações no corpo, porém nenhuma delas a nível de serem fundamentais por manterem o organismo passível a se manter com vida).

Portanto se nem mesmo a natureza segue uma sequência lógica (a ideia de que o organizado e simples é o lógico e racional), como podemos dizer que Deus vai ter que ser obrigado a ter essa necessidade?

Logo, não podemos dizer que só porque o pensar humano se desenvolve sobre uma ferramenta conhecida como lógica e racionalidade, Deus tem que ser lógico e racional, pois se Ele fosse, e um dia algo natural extrapolar a lógica e o racional, Deus seria um mero delírio do homem. Fato esse que somente está na esfera do pensar humano.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Três fatos do senso comum que limitam a Deus

Existem pessoas que tentam reconhecer a presença de Deus na natureza, acreditando que pela mesma ser tão complexa e perfeita, a mesma é uma expressão de Deus. Também existem linhas de raciocínio que culminam na ideia de que Deus é racional e lógico, pois o compreender humano se usa da lógica para interpretar o que o cerca.

Porém quando nos usamos dos critérios, que reconhecem que Deus criou tal coisa, caímos no erro de O limitar. Quantas vezes já não ouvimos:

"O universo é tão grande, existem tantas estrelas, planetas... é algo perfeito"

Porém pelo fato de ser perfeito, isso não diz que é a expressão de Deus, pois a perfeição é algo vinculado a uma interpretação humana. Antes de Deus criar tudo, se Ele tivesse a necessidade de ser perfeito, levaria a ideia de que existia a imperfeição, logo uma dualidade existente antes da própria existência do tudo. 
Deus não é perfeito, pois Ele não tem necessidade de ser perfeito, Ele é superior a perfeição.

Também ouvimos muitos dizerem:

"Deus é lógico e racional, pois o pensar e a natureza assim são... A filosofia e a lógica nos provam a Deus, pois o pensar humano é estruturado em algo organizado!"

Se Deus tiver a necessidade de ser racional ou lógico, limitamos ele a uma condição e isso é perigoso para a fé, pois se ocorrer algo irracional no universo, algo que a lógica e a forma de compreensão humana são extrapoladas, será um fato desvinculado de Deus, ou seja, algo que existe por si só, e como sabemos, o universo é criação de Deus, logo se algo ocorra no universo e esse fenômeno necessite de uma explicação ilógica e irracional, comprovamos que Deus não é o criador.

Algumas pessoas afirmam:

"Não tem como olhar para a natureza, para o universo e para as pessoas e não ver que Deus existe!"

O caráter de existência é vinculado a necessidade de estar dentro do universo natural, pois tudo o que existe tem uma massa e é submisso às forças que se encontram na natureza. Logo tudo o que existe é vinculado à natureza e não pode extrapola-la, portanto se Deus existe, Ele tem que estar dentro do universo natural e se está dentro e vinculado ao universo natural Ele não pode ser o criador (isso não significa que Ele não possa se manifestar).
Deus no antigo testamento se apresenta a Moisés com um nome característico "Sou o que Sou!", ou seja, Ele É o que É, pois o verbo ser leva a ideia de consciência de si mesmo, extrapolando o caráter de  simples existência. Ter consciência de Si leva a ideia de que Deus se alto limita, porém esse fato somente ocorre para que sua presença fosse reconhecida e interpretada facilmente pela racionalidade humana. Enquanto os egípcios diziam que seus deuses existiam os hebreus diziam que seu Deus É! 

Moisés frente a Sou o que Sou
Portanto no antigo testamento Deus já extrapolava o caráter existência e garantia aos homens o ato de Ser. Mas mesmo assim o ato de Ser é algo que pode limitar, pois leva a ideia de que Deus tem que ter uma consciência. A linguagem da Bíblia nos mostra que Deus escolhe se manifestar de uma forma compreensível ao homem, demonstrando que Ele tem poder extrapolar a natureza, portanto não sendo limitado. Dar qualidades a Deus, se esquecendo que as qualidades são definições dadas pelo pensar humano e pelas ações consideradas corretas que a epistemologia do pensar e da filosofia definiram certas, levam a erros frente a figura de Deus. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

E o surgimento da vida?

Quando falamos em origem da vida na Terra, sempre acabamos caindo em uma encruzilhada, sendo que um dos caminhos nos leva ao que o antigo conhecimento nos diz, garantindo que existe uma estrutura idealizada por uma mente superior, ou seja, Deus é quem cria a vida. O outro caminho nos leva o que a ciência mostra, dizendo que a vida é apenas um evento natural, assim como a mudança de estado físico de uma substância com o aumentar de temperatura, ou seja, algo comum fenomenológicamente dizendo.

Mas qual caminho é o mais real? Seria o caminho que a religião propõe uma fraude, pois a ciência explica com provas as coisas da natureza, ou seria o caminho da ciência algo errôneo, pois não consegue explicar coisas fora do sistema aceito pela comunidade como real.

Percebe-se que as perguntas tendem a deixar opostas as visões de ciência e religião, porém não é correto dizer que uma anula a outra. A religião e a ciência são dois meios que as pessoas usaram e usam até hoje para conseguirem ver o mundo por diferentes prismas, sendo que a religião atribui o início de tudo a uma ação divina, enquanto a ciência se usa de meios onde a natureza do universo se dá com a ação de forças que definem a própria natureza. Podemos perceber que no cerne tanto a religião quanto a ciência atribuem o início de tudo a forças que não podem serem controladas, logo, filósofos racionalistas como Espinoza, acabaram definindo tais eventos como uma coisa só, ou seja, uma interseção entre ciência e religião, natureza e Deus, chegando a ideia de que Deus e natureza são uma única coisa, somente separadas por definições epistemológicas da compreensão humana.

Com isso a ideia de surgimento da vida também se atrela a essa forma de raciocinar, teria sido Deus ou a Natureza o criador da vida?

Segundo a ideia de Espinoza se a vida é algo natural, ou seja, surge necessariamente dentro do universo natural, e a natureza e Deus são uma coisa só ou mesmo a mesma coisa, chegamos ao consenso de que natureza e Deus criaram a vida. Essa dualidade frente a quem é o responsável pela criação se dá pela necessidade do pensar humano em pregar rótulos em tudo o que existe. Esse comportamento é muito instintivo do ser humano, tanto que acaba até atrapalhando na interpretação de fenômenos (A aceitação de elétrons como partículas do átomo e suas características duais demoraram muito para serem compreendidas devido esse comportamento da lógica humana).

No início quando surgiu a vida na Terra, o ambiente era parecido com o da imagem. Atmosferas contendo gases como Dióxido de Carbono, Metano, Vapor de Água e Amônia. A Hidrosfera coberta com mares quentes e de pHs extremamente ácidos.

Porém em quem acreditar, no que está escrito no Gênesis ou o que a ciência descobriu frente a evolução dos seres vivos?
O Gênesis não passa de uma metáfora frente ao não saber o que ocorreu antes dos relatos que se tinham na época. É provável que as coisas aprendidas frente a evolução que foram observadas na época acabavam se perdendo com o passar do tempo, pois não havia registro dessas descobertas, sendo necessária a passagem de forma oral. Com o passar de algumas gerações essas descobertas acabam se perdendo. Algumas coisas bastante comuns para o povo ligado a cultura judaica é a observação, muito parecido com o que Darwin fez com os tentilhões. Há relatos onde se separavam animais malhados de animais de cores puras para se terem gerações de animais mais fortes, ou seja, a cultura que desenvolveu o Gênesis, buscava tentar relatar algo que pudesse durar por muito tempo. Explicar a criação da vida ainda hoje é de extrema complexidade, para um povo que só se baseava em observações e comparações a nível macroscópico, as coisas tinham que ser bastante simplificadas, e as forças que agiram para que tal fenômeno observado ocorressem, eram atribuídas a uma força maior e aceita por todos. A cultura de se aceitar o que uma pessoa de mais nome dizia é proveniente da Grécia e perdurou por muito tempo na história humana, tanto que ainda hoje há casos onde as pessoas se apegam mais ao que um cientista ou um chefe religioso falam.

Portanto podemos ver que quem escreveu o Gênesis tinha intenções parecidas com quem tenta explicar a origem da vida hoje em dia e se usando de ciências para isso. Não podemos comparar o que temos de conhecimento hoje com o conhecimento que uma pessoa da época do Gênesis tinha, pois o esforço de ambos para descrever os fenômenos foi grandiosamente igual.

Portanto o Gênesis não é um livro de caráter científico (mesmo tomando caráter de um para muitas pessoas), mas sim um livro de iniciação de registros históricos. É óbvio que a natureza não surgiu a 6000 anos A.C. ou que Deus criou o homem antes da mulher. Esse livro porém é muito importante, pois mostra como o ser humano pensa frente ao desconhecido, sendo um registro epistemológico de um povo frente o início da vida.

Criação de Adão por Michelangelo - Capela Sistina - Vaticano
Hoje podemos dizer que Deus criou a natureza (por simples silogismo usando definições primordiais como premissas), e que a natureza é igual a diversas peças de dominó, onde uma foi empurrada, gerando uma reação em cadeia. Essa reação de cair de peças, uma hora esbarra em uma peça que dá o início a vida. O ato de empurrar a primeira peça é um critério de gerar rótulo a uma ação, portanto vincula-se a uma epistemologia comum a cultura humana. Se existe um início para desencadear algo, tem que haver uma força para isso. A ciência diz que é um fator organizacional do espaço e a religião que foi a vontade de Deus, segundo a forma de pensar do filósofo Espinoza, as duas coisas são uma só, sendo o fator de organização do espaço e a vontade de Deus um evento primordial que não se separam.

Fica claro que tanto a ciência quanto a religião buscam explicar fatos que não compreendemos com uma didática que os simplifiquem, portanto ficar criando guerras entre ciência e religião não faz sentido, pois são apenas dois modelos de se descrever a natureza. O Gênesis não é um livro científico e não consegue descrever o universo de tal forma, porém a ciência não consegue provar ou não provar a existência de Deus, logo, as duas visões são relevantes pois podem se completar, porém existem fatos que a capacidade humana não vai compreender nunca ou tão cedo, pois a forma de pensar necessita de rótulos pontuais, dogmas e postulados para serem aceitas.

sábado, 3 de agosto de 2013

A diferença entre a estupidez e a razão é a vivência: Antes de criticar uma crença, vivêncie a mesma!

Meus camaradas sei que muitos se sentem chateados com coisas que observam na internet frente ao desrespeito contra às crenças de cada um (a critério ecumênico), porém as pessoas muitas vezes não tem  conhecimento ou paciência para explicar o porque seguem uma linha de raciocínio diferente dos Ateus. Fiz um levantamento e acho que pode ajudar bastante gente (que fique claro que não sou contra os ateus, evangélico, protestantes, macumbeiros, judeus, islâmicos, budistas, gays, mulheres...).

Esses tempos houve a visita do Papa ao Brasil, quem é católico, como eu, ficou feliz com a vinda dele por aqui, porém existem pessoas que ficaram ofendidas com a presença de um chefe de estado de caráter religioso.
É claro que todos tem o direito de criticar qualquer coisa, ninguém é obrigado a gostar de nada, porém, o mínimo de respeito deve existir. Muitas pessoas que não vivem dentro da igreja, acabam querendo criticar algo que não dominam, pois não tem contato com os verdadeiros fatos que ocorrem dentro da instituição. Desde que tenho consciência de mim mesmo, eu estava dentro de uma igreja, fazem 27 anos, e diferente do que os que habitam na ignorância dizem, a grande maioria das pessoas que se dizem católicas e trabalham na igreja são sim pessoas excelentes. Mas existem problemas e crimes causados dentro da igreja? Existem, ninguém é hipócrita e o próprio Papa reconhece isso, porém a quantidade de gente justa que está lá dentro é muito maior do que se mostra nos veículos de comunicação. Pedofilia, corrupção e estupros não ocorrem somente na Igreja... Existem médicos, professores, policiais, bombeiros... até seus vizinhos, que agem dessa forma nas sombras!... Se falam que a Igreja encobre esses casos, também deveríamos ficar atentos com todas as instituições em geral, que também encobrem os casos podres. Não é porque o homem veste uma batina que ele rouba o dinheiro dos fieis e tem tara com crianças!

   Os movimentos contra o Cristianismo não se mostram coerentes vindo dos ateus, que muitas vezes se usam símbolos de caráter mais antiteístas do que ateus

Tem gente que diz que a Igreja é contra os homossexuais e visa a mulher como um ser inferior ao homem, porém, não é isso o que vemos quando entramos mais em contato com os trabalhos pastorais, com o Evangelho e com o Catecismo, antes de qualquer lei dos homens, deve-se respeitar as leis de Deus, ou seja, antes das leis dos homens deve-se respeitar o amor para com as pessoas. Existem muitos trabalhos de valorização da vida e de inclusão social, mas que não são divulgados tão amplamente. Na real a Igreja faz essas funções, mas seriam essas obrigações da mesma...??? É claro que não... isso é função do governo... que é um grande incompetente! 

A ATEA – Associação de Ateus e Agnósticos, vêm dizendo e pregando a falta de respeito para com o cristianismo e o catolicismo. Todos podem ter sua opinião sobre um determinado fato, e forçar o contrário é algo despótico, porém, não se pode faltar com o respeito. Ao contrário do que muitos ateus pensam, nenhum católico pode ridicularizar crenças ou a falta da mesma, não se pode provocar a raiva e o ódio contra a forma de pensar frente a pessoas e instituições, quem faz isso em nome do catolicismo não é católico. Ao contrário do que muitos ateus dizem contra a bíblia, Jesus não era um cara que tinha bajuladores, ele veio para o mundo e foi em busca dos marginalizados, que na época eram os leprosos, cobradores de impostos, pagãos e prostitutas. Todos esses vivendo as constantes exclusões que os homossexuais, mulheres, pretos, índios, pobres sofrem hoje em dia. Jesus pregava a igualdade entre todos, não cobrava impostos e apego aos bens materiais... Prefiro acreditar, seguir e honrar ao nome de alguém que morreu por esses ideais do que me apegar nos ideais de filósofos do movimento pessimista da escola de Frankfurt.

Pregar o desrespeito somente gera o que aconteceu no começo do século XX no centro da Europa. Era ensinado nas escolas que os judeus possuíam feições muito mais próximas de um macaco do que um ariano, diziam que eram inferiores intelectualmente, tudo isso pois os judeus tinham grande força comercial na região. Condenavam os deficientes, pois eram chamados de um fardo para a sociedade. Pregar o desrespeito somente leva a ideais nazistas.
Antes que venham dizer da relação de Hitler com a igreja católica, deixo claro (mais um fato que muito ateu revoltado finge que não sabe, ou mesmo para aqueles que não tem ideia mesmo, pois só querem ser contra alguma coisa nesse mundo), em 1942-43 o Papa Pio XII condenava a política e perseguição alemã ao povo semita, e como chefe da instituição, deixando bem claro que o católico que fizesse ou se envolvesse com o movimento estaria indo contra a Igreja (outra coisa que muita gente não sabe, mas grande parte do povo alemão não tinham ideia do que ocorria nos campos de concentração, e por isso se mantinham apoiando o movimento antissemita, uma vez que as informações na mídia eram sempre deturpadas pelos nazistas). Em vista disso, Hitler arquitetou um plano e mandou a SS invadir o Vaticano e sequestrar o Papa (não deu certo), pois temia que a pregação chegasse aos ouvidos do povo alemão. Logo o próprio Pio XII diz que se fosse levado à Alemanha, ele renunciaria imediatamente e uma nova eleição devia ocorrer, dentro de um país católico neutro, provavelmente Portugal. 

E quem duvida se isso é verdade, procure um judeu e pergunte por que os judeus que viviam em outras regiões da Europa, cerca de 80% morriam em perseguição, enquanto que na Itália cerca de 80% do povo semita se salvou, mesmo com um governo ferrenho fascista. Muitos judeus são gratos às ações de Pio XII para com eles e para com seus avós!
Além disso bateu de frente com a perseguição religiosa ocorrida nos países Slavos, devido o crescimento do comunismo. 

Muitos ateus se usam de jargões como as atrocidades ocorridas na idade média, porém não sabem que muitos padres eram ordenados na infância, pois não eram os filhos varões de famílias importantes. O filho mais velho se tornava chefe militar e o mais novo chefe espiritual, ou seja, tinha-se o domínio regional por completo. Nesse período se tinham os anti-papas, que eram eleitos sem o conclave, não tinham vocação clerical, e agiam em nome do poder. Vários bispos eram conselheiros dos reis, pois buscavam se enriquecer (os senhores com seu poder militar e econômico colocavam pessoas sem vocação dentro do poder clerical e dessa forma, agiam como hipócritas, as ações dos mesmos causaram uma imagem negativa da Igreja, porém a Igreja não se baseava somente nesses homens). Mas mesmo nesse meio, surgiu a Ordem Franciscana, que existe até hoje e trabalha com os pobres em todos os países.

 E deixo a dica para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a ordem, assistir ao filme “Irmão Sol e Irmã Lua”, e ler os livros da vida de São Francisco de Assis, Santa Clara e Santo Antonio, podem aparecer algumas alegorias apócrifas nos textos, porém as obras humanitárias são o relevante das obras.
Não deve-se criticar o que não conhece, não deve-se criticar o que você nunca viveu, pois a diferença entre a estupidez e a razão é a vivência!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Teologia da Ciência

Esses dias tivemos a notícia de que o polonês Michael Keller, um grande teólogo e físico, recebeu um importante prêmio em dinheiro dado em Nova York pela Fundação Templeton (Instituição que reúne pesquisadores de todo o mundo), no valor de US$ 1,6 milhões de dólares, pela sua teoria chamada "A Teologia da Ciência".

Essa Teologia da Ciência, trás a ideia do encontro da ciência com Deus.

Caro leitor eu tenho uma opinião formada frente a relação Deus x Ciência, pois estudei química na graduação, garantindo assim muitas conexões entre os diversos eventos e fenômenos que a ciência afirma como postulados e a formação teológica filosófica que adquiri ao longo de estudos na igreja católica e de forma autodidata. Para muitos, estudar um pouco de ciência básica, já é o suficiente para acreditar que a mesma explica tudo, e dessa forma, tornar-se ateu. Comigo isso não ocorreu, mas um efeito contrário se deu, minha fé cresceu muito estudando as ciências mais básicas da natureza. Eu não sou um grande químico ou físico, mas acredito que o contato com natureza bruta que eu tive foi muito maior do que as pessoas que em grande maioria criticam construtiva ou destrutivamente a figura de Deus, tiveram ao longo da vida. Portanto sei que tenho argumentos mais próximos da realidade para dizer o que é uma prova científica, se comparado com grande parte do público, que usam esse jargão para dizer que Deus não existe, pois não existe prova científica. Ou seja, meu contato com Ciência não destruiu minha fé, mas a consolidou.

Eu acredito que a racionalização humana se baseia não capacidade de olhar, comparar e usar métodos preestabelecidos para resultar em uma resposta coerente com o que conhecemos como realidade. Porém, esquecemos que esse é um modelo estabelecido para compreender o que nos cerca. 

A critério de exemplificação é a mesma coisa que usar uma linguagem computacional para explicar o ambiente onde a mesma opera, ela por si só acaba nos dando algumas informações sobre o computador, pois necessita de requisitos mínimos para funcionar, porém não explica o por que o computador está super aquecendo, ou por que um fio se desamarrou e prendeu na ventoinha da fonte. A única maneira de saber a resposta é extrapolar o ambiente do software, ou seja, nossa ciência não passa de uma forma de manipulação da natureza frente um sistema conhecido, que tem recursos mínimos para operar. Quando detecta-se um novo fenômeno, que extrapola o sistema, nós buscamos realidade em um apêndice científico, ou seja, nos damos ao luxo de criar uma nova ciência (como ocorreu com a quântica, que foge das ideias da mecânica clássica), porém é a mesma coisa que baixar um novo pacote para o sistema operacional, ele sana alguns problemas, porém a linguagem do mesmo ainda não explica por que o fio desamarrou e parou a ventoinha. A única maneira de responder isso é abrir o computador e ver fisicamente qual é o problema. Logo exige uma abordagem que extrapole o ambiente que usamos como ferramenta.

Isso tudo que falei só trás a ideia de inexistência condicionada. Para o software não existia nenhum elástico que prendia o fio, mas ele estava lá, e derreteu com o aquecimento interno do computador, ou seja, é uma variável que nunca seria detectada pelo software.

Frente a natureza Deus não existe pois não tem necessidade de existir, uma vez que o existir condiciona a uma limitação espaço-temporal, e a característica de Deus é ser supernatural, não dependendo de natureza para O condicionar.

Portanto, o que acho é que não devemos ficar buscando respostas científicas frente a existência de Deus, já que Ele mesmo uma vez disse:

"- Sou o que sou! "

E isso acarreta que Ele se apresenta no verbo Ser, que possui uma carga pessoal muito maior que o verbo Existir. Para Ser, deve-se ter consciência de que É, porém, para Existir não se tem necessidade de saber quem ou o que É.