terça-feira, 15 de julho de 2014

Cristianismo e Mitraísmo eram a mesma coisa?

Muitas pessoas que criticam o cristianismo, usam como jargão o fato de antes dos imperadores romanos o aceitarem como religião oficial do império, o cristianismo tinha um forte concorrente entre as chamadas religiões pagãs e era o Mitraísmo esse concorrente.

Essas pessoas usam a ideia de que o cristianismo usou de artimanha a cópia de diversos fatos dessa religião, pois usam como data do nascimento da figura central a 25 de dezembro e de Mitra ser um deus de caráter benevolente. Porém quando analisamos superficialmente o que é o Mitraísmo, reconhecemos facilmente que essa antiga religião foge do contexto do cristianismo.

Um outro fato que pessoas menos esclarecidas também confundem é que o adorno que os bispos usam na cabeça, que é a mitra, é vinculado a figura do ser mitológico, dizem eles. De fato a deidade Mitra aparece com um adorno cobrindo a cabeça, porém, a mitra episcopal não é vinculada a tal fato, mas sim o nome mitra vem do grego e significa faixa para cabeça. A mitra tem origem no camelauco que por sua vez surge do fato de que a tradição contra que Pedro usava um sudário (pano para limpar o suor da testa) na cabeça durante sua missão.


O nome da deidade vem do assírio e era chamado Mylitta e tem muito mais a ver com o termo militar do que com o termo mitra do grego. Esse fato é comprovado, uma veze que Mitra era a deidade mais popular dentre os soldados das diversas regiões onde se pregava o seu culto.

Mitra é simbolizada como uma mulher degolando um touro, uma vez que a mulher representava a pureza e o touro degolado a liberação do pecado. A atitude do degolar era comum na cultura judaica e provavelmente incorporado pelos mitraístas, pois simboliza o ato de passar o pecado a um ser que o recebesse e morresse pelo pecador. Uma mulher degolando o receptáculo do pecado simbolizava a pureza vencendo a fuga para o mal. O cristianismo é derivado da cultura judaica, porém não poderia ter copiado a ideia de redenção dos pecados do mitraísmo, logo o mitraísmo que herdou tal ideia. Além da espiação, o sangue jorrado representava a imortalidade, uma vez que as pessoas dessa época consideravam que o sangue guardava a vida do ser, pois sempre que o mesmo esvaia, o maculado vinha a óbito.

Mitra era simbolizada como o Sol Invicto pelos romanos, pois a mesma era considerada a deusa da benevolência, dos soldados, da pureza, da vitória dentre outras coisas. Uma curiosidade referente a Mitra é que a Estátua da Liberdade, que se encontra na Ilha de Manhattan (um presente da França aos EUA), tem seus traços inspirados nessa deusa.

A deusa Mitra inflige o sacrifício enquanto que Cristo recebe o sacrifício, logo é um antagonismo e uma quebra de paradigma para o período. 

Mitra é nascida no dia 25 de dezembro, pois é o solstício de inverno (em torno de 22 de dezembro no hemisfério norte), e esse era um período onde haviam festas e as pessoas vislumbravam algo de bom, muitos conflitos eram sessados nessa época. Diversas religiões escolheram essa data para simbolizar o nascimento de seu símbolo maior, pois era o nascimento da boa nova para eles.

O Mitraísmo era uma religião que tinha raízes na ideia de oposição entre o bem e o mal e do espírito e a matéria, logo, era toda baseada no dualismo. Algumas vezes isso pode parecer comum ao cristianismo, porém isso não procede, pois o cristianismo não gera uma luta entre o bem e o mal, mas somente o foco ao bem, e também não gera o conflito da matéria com o espírito, uma vez que o próprio Cristo se fez carne entre nós.

A deidade também se mostra próxima a Apolo e a Thor, pois corria no céu com uma biga ou carruagem que puxava o sol, espantando o mal (trevas), mais uma semelhança com o caráter de dualidade das raízes da religião mitraica.

Portanto cristianismo e mitraísmo não são tão parecidos quanto parece.  

sábado, 14 de junho de 2014

A Cruz invertida seria um Símbolo Satânico?

Na mitologia moderna, muitas vezes busca-se simbologias de períodos medievais ou mesmo pré-medievais, para que se possa criar histórias, analogias e mesmo lendas para destruírem alguns mitos. Porém muitas vezes a utilização dessas simbologias acabam que por serem levianas, pois quem às propõem não tem conhecimento frente ao fundamento de tais símbolos.

Muitas pessoas, que por se sentirem incomodadas com a Igreja, pois acreditam que a mesma só tem regras para limitar a liberdade humana (ideia dessas pessoas em grande maioria ligada ao caráter sexualidade), acabam ficando traumatizadas com uma restrição que a instituição sugere frente ao bom convívio social (uma vez que as constituições dos países ocidentais e grande parte do texto de direitos humanos, são baseadas no cristianismo como estrutura básica do bom convívio social), e dessa forma como uma ação de contra controle se rebelam e tentam criar movimentos para baterem de frente com o que eles não concordam.

O grande problema é que essas pessoas esquecem de uma premissa: "Se consideramos que a Igreja responde por Deus, logo, devemos nos adequar a Deus e não Ele a nós!"

O não concordar com algo, não deve ser sinônimo de revolta, mas sim de procurar compreender a questão do por que não se concorda com tal fato que a grande maioria aceita como correta. A revolta frente a uma "regra" não pode ser impulsiva e sem estudo, pois ela acaba somente gerando respostas infundadas para o traumatizado.

Um exemplo é o de uma imagem que surgiu na idade média e que é muito difundida dentre os revoltosos com a Igreja Católica.

Acreditava-se que o céu ficava em direção das nuvens e o inferno em direção ao solo, logo, se uma imagem tivesse sua cabeça virada para o chão, ela teria seus pensamentos no inferno e não no céu, o que nos remete ao Satanismo.

Imagens que são consideradas Satânicas geralmente seguem esse padrão, portanto é comum ver o Crucificado de ponta cabeça, para simbolizar o inverso do bem. Porém, essa imagem na idade média não se referia ao satanismo e ainda hoje no leste europeu ela não tem ligação icônica com o demônio necessariamente. Mesmo no Vaticano essa imagem muitas vezes é comum, o que intriga as pessoas e logo começam acreditar que existe um caráter demoníaco na Igreja.

A simbologia da cruz invertida ganhou essa conotação errônea devido a ignorância que as pessoas tem frente ao caráter de simbologia antiga. Na verdade a Cruz Invertida, de satânica ela não tem nada, mas sim, é um grande símbolo que comprova a fé do usuário nos Papas e muitos mártires da Igreja Católica, que foram crucificados de forma invertida para servirem de diversão aos Romanos.

Visita de João Paulo II à Terra Santa em destaque o Trono Papal com a Cruz de Pedro.

São Pedro é o mártir mais famoso que foi crucificado de forma inversa, muitas pessoas costumam dizer que ele assim foi crucificado pois não acreditava ser digno de morrer da mesma forma de Cristo, porém, esse fato é apócrifo, na realidade essa estava se tornando uma prática entre os Romanos, para se divertirem e até mesmo causarem uma morte mais dolorosa a essas pessoas. 

Martírio de Pedro na Cruz invertida: Símbolo Papal.

Como São Pedro foi o primeiro Papa e assim é reconhecido não somente pela Igreja Católica, mas também pela Igreja Ortodoxa, o símbolo da cruz invertida acabou sendo vinculado ao Papado. Portanto o uso da mesma não quer referir-se a um agente do demônio, mas sim um agente que acredita na palavra do Papa como verdadeira voz de Deus quando se pronuncia em ex-cátedra.

Resumindo: Existem muitas pessoas que são revoltadas com algum determinado fato que a Igreja diz como verdade e tentam agir com algum contra controle, porém na realidade, estão somente propagando um sinal de fé que não tem ideia de sua simbologia.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Divinação do pensamento: Mitologia.

Um fato interessante que permeia a cultura de todas as civilizações, sejam ao norte, ao sul, leste ou oeste é a presença da adoração a algo. Essa adoração se dá ou se davam, pela observação de fenômenos que não podem ou podiam ser compreendidos inicialmente pois não havia tecnologia suportável no período.

Porém as observações mesmo sem a utilização de equipamentos, se mostraram bastante arrojadas e verdadeiros saltos no compreender humano. Uma delas foi a observação frente a constituição da matéria de Demócrito, um filósofo grego que viveu 370 a.C. Ele observou uma praia do alto de uma colina e percebeu que os pequeninos grãos de areia não podiam ser distinguíveis daquela distância, mas essas pequenas partículas eram responsáveis, em grande quantidade, por compor toda a extensão da praia. Demócrito então a partir dessa observação definiu que tudo era formado por pequenas partículas.

A princípio chamaram Democrito de louco, pois o todo não podia ser tão simples assim, e então descartaram a sua ideia. Passaram séculos e com o desenvolvimento da ciência a nível microscópico, retomaram a ideia desse filósofo, pois com uma observação mais próxima da matéria, constatou-se que ela podia ser dividida em pequenas unidades. Essas pequenas unidades são os átomos, fato esse que Demócrito por uma simples observação de um praia, uma quebra de paradigma, conseguiu formular uma teoria que descrevia a realidade com muita simplicidade.

Demócrito de Abdera

Com o desenvolver dos métodos científicos, adoração que se dá pela observação do não compreensível, começou a ser substituída pela adoração do compreensível.

O filósofo que estávamos a discutir, viveu em um período onde a Grécia tinha religião politeísta, com deuses extremamente caracterizados com traços humanos, eram vingativos e se usavam dos mortais para realizarem seus desejos. Essas características se davam pelo fato dos governantes terem observado que o medo era uma forma boa de controle do povo, fato esse, que foi explicado por Nicolau Maquiavel em 1513 em sua obra máximo "O Príncipe". Mostrando que o "desconhecido" as vezes pode também ser usado como forma de controle de massas. Porém esse desconhecido não é desconhecido dos governantes, que os modelam a sua vontade.

Essa ideia de deuses com características humanas, e que podiam tomar atitudes de controle, não é uma ideia única da Grécia, no Egito, em Roma, na Ásia e Escandinávia, essa ideia se disseminou, e como reflexo disso, formaram-se grandes impérios.

Portanto fica claro que a humanização das ações de uma divindade expressa em algo não explicável presente na natureza, não passa de uma grande alusão a atos de governantes que se usam de um engodo para traçar os rumos de um grupo social.

As alusões mais explicitas se dão na figura do imperador deus, sendo os romanos, os egípcios, chineses, japoneses e escandinavos os mais conhecidos.

Dentre esses, os menos famosos são os escandinavos, conhecidos como Vikings, que incorporaram muito da cultura grega, assim como os romanos, e trouxeram a divindade a seus governantes. Poucas vezes são falados de reis Vikings que eram considerados deuses, mas somente a figura do Panteão, que é a especificação do Olimpo, o local de reunião dos deuses e a figura do Valhalla que corresponde aos Campos Elísios onde o homem descente descansa após a morte, já nos dá muitas informações de como havia um controle na região. O Valhalla era aberto somente a quem caísse em combate, ou seja, era um engodo criado pelos governantes "deusificados" na figura de um ser perfeito, porém com a intenção de conquistarem mais terras. Os deuses Vikings não eram considerados imortais, mas sim mortais e passíveis a morte se não comessem a maçã de Iounn, uma grande alusão a ideia do fruto do paraíso, característica introduzida pela mitologia cristã.

Fenrir filho de Loki, subjugado após o Ragnarok, onde Vidar, filho de Odin, o mata abrindo sua boca e então rasgando-o ao meio. A lança retrata o poder de Odin mantido em seus descendentes, uma vez que ele é morto por Fenrir no Ragnarok, ou seja, os deuses não passavam de figuras presas a um destino de exílio existêncial.

Do passado para o presente, as ideias da divinação é bem comum, sendo que hoje ainda existem pessoas que são tratadas como sobrenaturais. Mas também é comum as pessoas de hoje abdicarem do sobrenatural para acreditar na tecnologia e fundamentarem sua fé na mesma. 

Portanto surge a pergunta:
"A mágica não era a tecnologia do passado, se ela hoje é considerada obsoleta, pois criava um engodo ao racional humano, a tecnologia e a ciência em tempos futuros também não serão meios de se criar o engodo frente a fé?"

A resposta é clara e simples, nem a mágica e nem mesmo a ciência podem subjugar a fé, pois ela se baseia em algo que extrapola o que é racional humano e naturalmente físico. A fé se basei em Deus e não em divinações que possuem características atitudinais humanas, como era comum nas culturas Egípcias, Gregas, Vikings, Chinesas etc...

domingo, 20 de abril de 2014

Felicidade, alegria e tristeza.

O quadro abaixo é uma obra de arte que tenho em minha casa, e ele transmite um sentimento muito forte para quem o contempla.

Cristo Chorando.
                                                   
 Esse Cristo é o Cristo que se aproxima do homem em uma das suas características mais marcantes, o sentimento de tristeza.

Porém se Cristo é Deus e Deus é feliz plenamente, como pode Cristo ter estado triste? Não seria uma ambiguidade?

A resposta é não... Não é uma ambiguidade!

O ser feliz é diferente de ser alegre ou contente, a felicidade é algo contínuo que você só consegue quantificar quando raciocinada frente a um longo período... Uma visão de longe, algo macroscópico, um macroestado... uma vida inteira e um momento único isolado.

Porém no ato de ser feliz não é isento de momentos ... sendo momentos alegres ou contentes e os momentos tristes... Todos nós podemos nos dizer tristes ou alegres, porém existe uma oscilação, onde em algumas horas podemos passar de um momento ao outro - triste a contente ou contente a triste - só que isso não consegue dizer se nosso momento nos garante a caracterização de sermos felizes.

Felicidade não é estar contente, felicidade não é o contrário de sofrimento e muito menos de tristeza. Pois felicidade não é uma definição de momento, mas sim de estado, não havendo um antônimo.

A felicidade no entanto pode ser comparada com a natureza, nós não temos capacidade de descrever o que é a natureza, porém conseguimos expressa-la na forma de dados, usando o modelo científico para isso... A felicidade pode passar por um mesmo raciocínio, só que em vez de ser expressa em dados numéricos , ela pode ser expressa com os sentimentos (comumente dizendo), uma vida e mesmo ações, não somente passando pelos momentos de alegria ou tristeza.

Logo Deus mesmo sendo Feliz plenamente pode ter momentos de tristeza e alegria, na figura de Cristo isso é ilustrado facilmente, na tristeza de ter o medo humano da dor e na alegria no ato humano de ver o próximo bem.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Deus não tem que ter necessidade de nada, muito menos a necessidade de ser lógico e ou racional.

Logo abaixo temos uma passagem da primeira carta de Paulo aos Corintios.

1 Coríntios 3:16-23

16 Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?

17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.

18 Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.

19 Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia.

20 E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos.

21 Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso;

22 Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso,

23 E vós de Cristo, e Cristo de Deus.

Essa passagem é muito rica e deixa bem claro como muito do pensar humano se engana frente a figura de Deus. Todos nós, seres humanos, além do caráter falho de sermos pecadores somos imersos na natureza, que foi criação de Deus sem dúvida nenhuma, e dessa forma nosso pensar é limitado ao que a natureza nos passa como concreto, ou seja, o cérebro interpreta o que é desconhecido para ele com uma imagem ou sensação que é comum e conhecida. E isso ocorre para com a figura de Deus e suas ações para com o meio que somos imersos.

Muitos filósofos acreditam que Deus tem necessidade de ser lógico e racional, porém, essa é uma necessidade que implica no limitar de Deus. Quando pensamos que Ele tem que ser racional e lógico, estamos tentando usar uma necessidade humana para definir a Deus. Porém nem sempre as ações de Deus tem necessidade de serem lógicas extrapolando a racionalidade facilmente.

É muito comum usarmos de pensamentos que foram desenvolvidos pelos filósofos racionalistas como Espinoza para interpretarmos a relação de Deus e a Natureza, porém Deus e Natureza não são uma só pessoa. Deus é muito superior à Natureza, pois Ele a criou, não sendo limitado pelas forças e mecanismos que ocorrem na mesma. Logo racionalizar Deus como e Suas ações como compreensíveis o tempo todo, é somente dizer que o pensar humano é capaz de dominar a Ele.


Criação do Mundo - Pintura de Michelangelo na Capela Sistina.

Também é bastante comum as pessoas mais leigas dizerem que a natureza é perfeita pois ela age de forma organizada e não existe desequilíbrio, que tudo segue um padrão de cosmo e não de caos. Porém toda a natureza acaba sendo ilógica, pois ela não tem um padrão, existem diversas mutações e sistemas que funcionam tendendo ao caos e não ao equilíbrio.

O corpo humano somente se mantém vivo enquanto se tem uma desordem do equilíbrio em reações químicas que produzem energia, ou seja, enquanto se tem o desequilíbrio (mais formação de produto do que de reagente nas reações reversíveis), o corpo humano se mantem vivo, porém, quando todas as reações chegam a um equilíbrio termodinâmico, o corpo vem a óbito, pois se existe equilíbrio, significa que não existem reações químicas ocorrendo mais (sabemos que após a morte ainda ocorrem diversas reações no corpo, porém nenhuma delas a nível de serem fundamentais por manterem o organismo passível a se manter com vida).

Portanto se nem mesmo a natureza segue uma sequência lógica (a ideia de que o organizado e simples é o lógico e racional), como podemos dizer que Deus vai ter que ser obrigado a ter essa necessidade?

Logo, não podemos dizer que só porque o pensar humano se desenvolve sobre uma ferramenta conhecida como lógica e racionalidade, Deus tem que ser lógico e racional, pois se Ele fosse, e um dia algo natural extrapolar a lógica e o racional, Deus seria um mero delírio do homem. Fato esse que somente está na esfera do pensar humano.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Monoteísmo - Um pouco sobre sua origem.

Conseguir datar um período histórico de surgimento do monoteísmo é extremamente complexo, pois existem registros de grupos humanos extremamente antigos que adoravam uma única deidade. Não sabe-se dizer se esses grupos somente possuíam uma única deidade pelo fato de não terem desenvolvido abstração para reconhecer os efeitos naturais inexplicáveis na época e conectarem a ideia dessa falta de explicação ser a ação de uma força fora da natureza, ou se a adoração a uma única deidade se relaciona a ideia de que um deus não se limitaria a uma característica só.

O cristianismo e o islamismo se fundamentam no judaísmo que é uma religião monoteísta, levando assim uma dificuldade de compreender como se desenvolve a epistemologia da crença monoteísta para um cristão tanto antigo quanto moderno.

Porém antes de buscarmos a ideia de monoteísmo, temos que saber que existem ao menos duas formas de pensar bastante próximas do monoteísmo e são elas o Henoteísmo e a Monolatria.

* Henoteísmo: Adorar um deus único, aceitando a existência, ou possível existência, de outras divindades. Ou seja, é muito parecido com passagens do Antigo Testamento, onde o povo Hebreu aceitava a ideia de um Deus do seu povo, porém não descartavam que os egípcios também tinham as suas divindades.

* Monolatria: O reconhecimento da existência de muitos deuses, mas com a adoração consistente de uma única divindade. Parecido com o que os gregos faziam em idolatria a um deus, se dedicando e servindo a uma divindade, se sagrando clérigos e servas de deuses como Apolo ou Atena.

 Apolo: O deus grego do sol, corria com uma biga pelo céu, puxando o sol acorrentado na parte de trás, sendo que representava a luz do dia. Foi um dos deuses mais cultuados na grécia.

Essas formas de interpretação das crenças podem em muito ter fortalecido o monoteísmo como uma corrente forte dentro das religiões.

Dentro do próprio monoteísmo temos diversas formas de o enxergar:

* O deísmo postula a existência de um único deus, o criador de tudo na natureza. Alguns deístas acreditam em um deus impessoal que não intervém no mundo, enquanto outros deístas acreditam na intervenção através da Providência. Existem bases do cristianismo que se fundamentam nessa forma de pensar, onde deus não precisa ser o responsável por um evento natural de forma direta, sendo que tal fenômeno ocorre simplesmente por consequência de Deus ter criado a natureza.

* O panteísmo sustenta que o Universo em si é Deus. A existência de um ser transcendente estranho à natureza é negado.Um pouco da ideia de Deus sustentada do Espinoza remete ao panteísmo, pois ele ligava Deus à natureza e a natureza a Deus, não podendo desvincular um do outro.

* O panenteísmo é uma forma de monoteísmo monista, que sustenta que Deus é todo da existência, que contém, mas não é idêntico ao, Universo. O único Deus é onipotente e onipresente, o universo é parte de Deus, e Deus é tanto imanente quanto transcendente.

* O monismo é o tipo de monoteísmo encontrado no Hinduísmo, englobando o panteísmo e o panenteísmo, e ao mesmo tempo, o conceito de um Deus pessoal. 

* O monoteísmo substancial, encontrado em algumas religiões indígenas africanas, sustenta que os inúmeros deuses são formas diferentes de uma única substância subjacente. Ou seja os deuses são expressões da natureza como um todo, sendo que esses deuses podem ser limitados pela mesma. Algumas religiões do centro da Europa também tinha características bastante próximas dessas religiões africanas. Essas formas de pensar acabavam por levar ao surgimento de seres baseados nos elementos, conhecidos como Elementais, que podem ser reconhecidos em todas as religiões de características tribais.

 Cernunno: Deidade do politeísmo celta, também conhecido como deus com chifres, sendo uma representação zooantropomorfa de homem com cabeça de cervo, levando a ligação da natureza ao homem, formando a crença aos elementais. Não se sabe qual era o culto a essa deidade, acredita-se que seja algo vinculado a fertilidade, uma vez que possui um aspecto muito próximo de um Sátiro da mitologia grega.

* O monoteísmo trinitário é a doutrina cristã da crença em um Deus que É três diferentes pessoas; Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A crença cristã sobre a individualidade de Deus se mostra a mais complexa, pois não existe uma explicação simples da necessidade de Deus Ser três pessoas ao mesmo tempo. Porém é a que mais se aproxima de um Deus que extrapola a natureza e a epistemologia humana, uma vez que as deidades são sempre baseadas em fatos que se manifestam na natureza.

Mais informações em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Monote%C3%ADsmo

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Três fatos do senso comum que limitam a Deus

Existem pessoas que tentam reconhecer a presença de Deus na natureza, acreditando que pela mesma ser tão complexa e perfeita, a mesma é uma expressão de Deus. Também existem linhas de raciocínio que culminam na ideia de que Deus é racional e lógico, pois o compreender humano se usa da lógica para interpretar o que o cerca.

Porém quando nos usamos dos critérios, que reconhecem que Deus criou tal coisa, caímos no erro de O limitar. Quantas vezes já não ouvimos:

"O universo é tão grande, existem tantas estrelas, planetas... é algo perfeito"

Porém pelo fato de ser perfeito, isso não diz que é a expressão de Deus, pois a perfeição é algo vinculado a uma interpretação humana. Antes de Deus criar tudo, se Ele tivesse a necessidade de ser perfeito, levaria a ideia de que existia a imperfeição, logo uma dualidade existente antes da própria existência do tudo. 
Deus não é perfeito, pois Ele não tem necessidade de ser perfeito, Ele é superior a perfeição.

Também ouvimos muitos dizerem:

"Deus é lógico e racional, pois o pensar e a natureza assim são... A filosofia e a lógica nos provam a Deus, pois o pensar humano é estruturado em algo organizado!"

Se Deus tiver a necessidade de ser racional ou lógico, limitamos ele a uma condição e isso é perigoso para a fé, pois se ocorrer algo irracional no universo, algo que a lógica e a forma de compreensão humana são extrapoladas, será um fato desvinculado de Deus, ou seja, algo que existe por si só, e como sabemos, o universo é criação de Deus, logo se algo ocorra no universo e esse fenômeno necessite de uma explicação ilógica e irracional, comprovamos que Deus não é o criador.

Algumas pessoas afirmam:

"Não tem como olhar para a natureza, para o universo e para as pessoas e não ver que Deus existe!"

O caráter de existência é vinculado a necessidade de estar dentro do universo natural, pois tudo o que existe tem uma massa e é submisso às forças que se encontram na natureza. Logo tudo o que existe é vinculado à natureza e não pode extrapola-la, portanto se Deus existe, Ele tem que estar dentro do universo natural e se está dentro e vinculado ao universo natural Ele não pode ser o criador (isso não significa que Ele não possa se manifestar).
Deus no antigo testamento se apresenta a Moisés com um nome característico "Sou o que Sou!", ou seja, Ele É o que É, pois o verbo ser leva a ideia de consciência de si mesmo, extrapolando o caráter de  simples existência. Ter consciência de Si leva a ideia de que Deus se alto limita, porém esse fato somente ocorre para que sua presença fosse reconhecida e interpretada facilmente pela racionalidade humana. Enquanto os egípcios diziam que seus deuses existiam os hebreus diziam que seu Deus É! 

Moisés frente a Sou o que Sou
Portanto no antigo testamento Deus já extrapolava o caráter existência e garantia aos homens o ato de Ser. Mas mesmo assim o ato de Ser é algo que pode limitar, pois leva a ideia de que Deus tem que ter uma consciência. A linguagem da Bíblia nos mostra que Deus escolhe se manifestar de uma forma compreensível ao homem, demonstrando que Ele tem poder extrapolar a natureza, portanto não sendo limitado. Dar qualidades a Deus, se esquecendo que as qualidades são definições dadas pelo pensar humano e pelas ações consideradas corretas que a epistemologia do pensar e da filosofia definiram certas, levam a erros frente a figura de Deus.